Lideranças regionais do MDB nas regiões Sul, Sudeste e Norte estão cobrando do presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, um posicionamento oficial de aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL). A movimentação busca alinhar a sigla a outras legendas de direita que já oficializaram o apoio, como União Brasil, PP e Republicanos, embora a cúpula nacional mantenha resistência à ideia.
Articulação de Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que administra o principal orçamento do partido, ligou para Baleia Rossi na terça-feira (6) para intensificar a cobrança pelo endosso político. Segundo o levantamento do prefeito, ao menos 15 dos 27 estados — incluindo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pará — contam com diretórios favoráveis à formalização da aliança.
Além de Nunes, que organizou atos de campanha e mobilizou a estrutura partidária paulista em favor do bolsonarista, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também conversou por telefone com o dirigente emedebista no mesmo dia para defender o movimento.
Resistência da ala lulista e cálculo político
Em contrapartida, o partido abriga um grupo de orientação governista que advoga pela neutralidade na disputa. Pessoas próximas a Baleia Rossi avaliam que um manifesto de apoio nacional teria baixa utilidade prática, uma vez que não alteraria o tempo de propaganda na televisão e os correligionários interessados já realizam campanha individualmente em suas bases.
Diante desse cenário de divisão, a tendência é que os emedebistas adotem postura similar à do PSD. No caso do partido de Gilberto Kassab, a legenda lançou candidatura própria no primeiro turno para marcar posição contra o bolsonarismo e optou por liberar seus filiados na disputa.
Outras legendas ao lado do PL
Enquanto o MDB avalia seus próximos passos, Flávio Bolsonaro já garantiu o respaldo formal de siglas como Novo e caminha para sacramentar uma aliança com o Podemos ainda durante a semana.
A situação de Ricardo Nunes no pós-mandato também entra no cálculo dos aliados, que apontam a possibilidade de o prefeito integrar uma eventual administração federal de Flávio Bolsonaro, visto que seu ciclo à frente da capital paulista se encerra em 2028 e a reeleição é vedada.