Um grupo de doze parlamentares dos Estados Unidos enviou uma comunicação formal ao secretário de Estado, Marco Rubio, exigindo esclarecimentos a respeito da revogação do visto diplomático da representante brasileira no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A mobilização também coloca em pauta a postura da gestão de Donald Trump frente ao cenário político brasileiro.
Cobrança com prazo definido e liderança no Congresso
A ofensiva foi encabeçada pela deputada Sydney Kamlager-Dove, que atua como co-chair do Brazil Caucus na Câmara dos Representantes. O texto oficial carrega a data de 6 de outubro e fixa o limite de 20 de outubro de 2026 para que o Departamento de Estado envie respostas documentadas. Entre os doze signatários figuram nomes como Gregory Meeks, Ranking Member do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, além de James McGovern, Pramila Jayapal, Nydia Velázquez, Jonathan Jackson, Sylvia Garcia, Dina Titus, Yvette Clarke, Mike Quigley, Jasmine Crockett e Madeleine Dean.
Logo na abertura, os congressistas classificam o episódio como uma “disputa diplomática fabricada” pelo Departamento de Estado e descrevem a revogação do visto de Ribeiro Viotti como uma medida “extraordinária e sem precedentes”. Os autores avaliam que a decisão intensifica o atrito entre Washington e Brasília, integrando uma sequência de atos do governo Trump que teriam abalado os laços com a principal economia e democracia sul-americana.
Acusações de interferência no processo eleitoral
O texto aponta que as decisões tomadas pela administração norte-americana estão conectadas a uma tentativa de influenciar as urnas brasileiras no pleito de 2026. Como embasamento, o grupo enumera diálogos de membros do Departamento de Estado com o ex-presidente Jair Bolsonaro, punições aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes e dúvidas levantadas por autoridades dos EUA sobre a lisura do sistema de votação no Brasil.
Os congressistas afirmam que a revogação do visto da embaixadora representa “a mais recente escalada no esforço sustentado da Administração Trump para influenciar os resultados das eleições brasileiras de 2026”.
Retaliação e questionamentos formais
Outro ponto abordado indica que a cassação do documento de Viotti funcionou como resposta à recusa do Brasil em emitir vistos para Riley M. Barnes e Samuel Samson, ambos ligados à área de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do governo americano, que pretendiam investigar o sistema eleitoral brasileiro.
Lista de perguntas enviadas ao governo
O documento enumera sete indagações centrais direcionadas a Marco Rubio, cobrindo desde a justificativa para a medida contra a embaixadora até o envolvimento de Donald Trump na decisão e eventuais contatos com a família Bolsonaro. O grupo questiona diretamente:
“Que evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral do Brasil possa carecer de credibilidade?”
Por fim, os parlamentares exigem análises sobre o impacto das tensões na aproximação do Brasil com a China e na cooperação comercial e de segurança. Na conclusão, os signatários defendem que as relações entre Washington e Brasília sejam baseadas no respeito às escolhas democráticas dos brasileiros.
“As relações entre Estados Unidos e Brasil devem ser fundamentadas no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro”, afirmam.