Profissionais da área econômica frequentemente tratam a economia como “a física das ciências sociais”, buscando alcançar o mesmo status e prestígio que os físicos possuem. Esse orgulho costuma vir da crença de que a disciplina possui uma teoria central unificada, comparável à física moderna, onde tanto a visão marxista quanto a burguesa se apoiam na premissa de que classes e indivíduos buscam maximizar sua utilidade.
O equívoco sobre a física moderna
No entanto, essa perspectiva ignora que a teoria central da física passa por transformações radicais constantes, como exemplificado pelas descobertas do nêutron e da misteriosa energia escura. Além disso, muitos economistas demonstram desconhecimento sobre o funcionamento prático da física, imaginando erroneamente que a área depende excessivamente de axiomas e de rigorosos teoremas de existência.
A relação entre matemática e realidade
Diferente do que muitos pensam, os físicos não gastam seu tempo provando teoremas matemáticos; eles utilizam ferramentas fornecidas por matemáticos e se contentam quando uma expressão caracteriza de forma correta o mundo real. A validação na física é estritamente factual, priorizando a utilidade prática de uma fórmula em detrimento da rigidez axiomática.
O exemplo histórico da xícara de chá
Um episódio histórico ilustra bem essa diferença de mentalidade. Na década de 1920, físicos alemães precisaram incorporar matemáticos em suas equipes. Em uma ocasião, um físico exibiu os termos iniciais de uma série infinita afirmando empolgado: “A expressão mostra lindamente como o leite gira numa xícara de chá!”. O matemático imediatamente questionou se a série convergia, ao que o cientista respondeu com surpresa: “O quê?”, acrescentando: “Não sei. Por que isso importaria? Estou só usando os primeiros termos. Não irei adiante.”.
O erro dos economistas decorre justamente de estudarem matemática com departamentos teóricos, e não com foco em engenharia ou astronomia. A consistência lógica com axiomas puristas não define a utilidade de uma ciência, mas sim a capacidade de uma ideia se encaixar perfeitamente no mundo real. Por fim, a economia permanece como uma disciplina fascinante, cujo verdadeiro valor reside na observação rigorosa dos fatos em vez da fixação por teoremas abstratos.