Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (7) para desarticular uma associação criminosa investigada por cometer o golpe do falso parente por meio de aplicativos de troca de mensagens, onde os criminosos simulavam ser familiares ou conhecidos dos alvos para solicitar transferências bancárias.
Franquia do crime e venda de pacotes fraudulentos
Além de executarem as fraudes diretamente, os investigados comercializavam um kit voltado para que terceiros pudessem replicar o esquema criminoso. O pacote continha informações cadastrais detalhadas das vítimas e de seus entes queridos, acompanhadas de um roteiro de diálogos pré-formatado para conduzir a extorsão.
Alvos da operação e prejuízos financeiros
As equipes policiais cumpriram cinco mandados de prisão e cinco ordens de busca e apreensão distribuídas entre Ceilândia, Taguatinga e Goiânia (GO). A investigação identificou cinco suspeitos como alvos da ação: duas mulheres, de 24 e 46 anos, e três homens com idades entre 31 e 48 anos.
Perfil das vítimas
Até o momento, os investigadores contabilizaram ao menos 19 boletins de ocorrência conectados ao grupo, resultando em um prejuízo financeiro estimado em R$ 73 mil. Deste total, apenas uma vítima sofreu uma perda de R$ 53 mil. O esquema atingiu majoritariamente pessoas idosas, com idades variando de 75 a 83 anos.
As apurações revelaram que a organização operava desde 2024 com base em Ceilândia e era liderada por um ex-funcionário de uma empresa de telefonia, responsável por registrar linhas telefônicas utilizando documentos de terceiros sem autorização. Um único aparelho celular chegou a registrar mais de 6 mil ativações de chips. O núcleo operando em Goiás recebia os chips para criar perfis de mensagens e comercializar os pacotes ilícitos. Os envolvidos poderão responder perante a Justiça por organização criminosa, estelionato qualificado por fraude eletrônica — com agravantes por atingir idosos — e lavagem de dinheiro, cujas penas combinadas podem ultrapassar a marca de 26 anos de reclusão.