Guerra: Dominic West e James McArdle detalham bastidores da série

A HBO Max expande seu catálogo com Guerra (War), um drama jurídico que utiliza um divórcio bilionário como ponto de partida para expor os bastidores do poder, da influência e da cobiça em Londres. O conflito central envolve o magnata Morgan Henderson, interpretado por Dominic West, e a renomada atriz Carla Duval, vivida por Sienna Miller. O que deveria ser apenas um desquite se transforma em uma disputa estratégica entre a tradicional firma Cathcarts & Sons e a audaciosa Taylor & Byrne.

Dominic West e a complexidade de Morgan Henderson

Para Dominic West, o convite para o projeto foi impulsionado pela colaboração com o criador da série, George Kay. O ator destaca a qualidade do roteiro como um fator decisivo: “George é um escritor realmente muito bom. Eu li o roteiro de uma vez. Ele realmente me prendeu. Depois de ver o primeiro episódio, a expectativa sobre o que aconteceria na página simplesmente continuava crescendo durante as filmagens. Ele é um roteirista de televisão brilhante e a história realmente avança”.

O intérprete de Morgan buscou evitar arquétipos maniqueístas, focando nas contradições de um homem que busca impacto positivo, ainda que por caminhos questionáveis. “Eu gostei do fato de ele estar tentando fazer o bem. Obviamente, ele ganhou muito dinheiro, provavelmente de forma questionável, mas queria transformar aquilo em algo positivo, em uma alternativa às plataformas tradicionais de mídia social. Achei uma ideia bastante plausível”, explica. Sobre a construção do papel, West afirma: “Morgan pode ser controlador e implacável, mas é isso que o torna interessante. Existem algumas coisas que ele faz na série com as quais eu não concordo, mas é fascinante ver o que ele faz quando as coisas ficam mais difíceis e ele chega ao limite”. Para compor o perfil do bilionário, o ator utilizou referências de diversas personalidades reais, citando o podcast Good Bad Billionaire como fonte: “Não havia realmente uma pessoa específica em quem eu pudesse baseá-lo. Morgan é uma mistura da minha compreensão sobre os bilionários daquele podcast”.

A dinâmica entre Nicholas e Serena Taylor

James McArdle dá vida a Nicholas Taylor, o cérebro analítico por trás da Taylor & Byrne. Ele ressalta a importância da parceria com sua esposa na ficção, Serena Byrne (Phoebe Fox). “Eles queriam deixar claro que Nicholas poderia inicialmente parecer um pouco um ‘sim, senhor’ para Serena, ou alguém mais quieto nos primeiros episódios. Mas também queriam garantir que parecesse uma parceria de igual para igual”, esclarece. Segundo o ator, o equilíbrio entre os dois é o diferencial da firma: “Eu o vejo como alguém mais analítico. Ele avalia uma situação antes de agir, enquanto Serena pode agir mais por impulso. Esse contraste faz deles uma equipe forte”.

Apesar da tensão profissional, McArdle acredita que a relação é sólida, embora o trabalho seja um complicador: “Acho que é uma relação realmente boa. Eles têm equilíbrio e diferenças claras, o que é saudável. Honestamente, os principais problemas surgem porque eles trabalham juntos. Se tivessem empregos separados, provavelmente seriam um casal perfeito. O verdadeiro obstáculo é a sobreposição profissional”.

Parceria de longa data nos sets

A química entre McArdle e Phoebe Fox não é fruto apenas do roteiro. Os atores possuem um histórico de amizade e já interpretaram casais em outras ocasiões. “É a nossa terceira vez interpretando um casal. Fizemos uma peça de restauração na escola de teatro, depois um dos nossos primeiros trabalhos depois da formatura e agora isso. Fomos de namorados a um casal casado”, conta McArdle. A confiança prévia, segundo ele, otimizou o trabalho: “Isso te dá uma vantagem. Você já tem confiança, então pode simplesmente atuar. Quando trabalha com alguém novo, precisa construir essa relação ao mesmo tempo em que faz as cenas. Aqui, nós já tínhamos isso, o que acelera tudo”.

A série também explora o choque cultural entre a estrutura conservadora da Cathcarts & Sons e a agressividade da Taylor & Byrne. Embora a trama sugira uma rivalidade feroz, o ambiente de filmagem foi marcado pela camaradagem, conforme revela McArdle: “Eu teria adorado isso, mas não. Todo mundo se dava muito bem. Quando começamos a filmar as cenas de tribunal juntos, estávamos apenas inventando jogos absurdos para conseguir passar pelos longos dias”.

Ao refletir sobre o tema central, Dominic West conclui que a série humaniza figuras que costumam estar fora do alcance do público comum: “É naturalmente uma história muito atraente. As pessoas são atraídas por esse tipo de situação. Um bilionário e uma atriz se divorciando traz uma sensação de glamour e intriga. O que a série faz bem é tirar essas pessoas desse pedestal e mostrá-las como seres humanos reais”. Em última análise, a produção questiona a moralidade de todos os envolvidos, como resume West: “Todo mundo está lidando por aquilo que acredita ser certo, o que torna o conflito muito mais complexo”.

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