A tradicional fabricante de veículos Jaguar está ingressando no competitivo mercado de elétricos de alto padrão com um modelo avaliado em 130 mil libras, o equivalente a cerca de R$ 859,53 mil. O lançamento ocorre após um período de reformulação da marca marcado por fortes polêmicas nas redes sociais, onde a empresa de 91 anos foi acusada por entusiastas de “aderir à cultura woke” e “jogar fora sua herança” devido a uma campanha publicitária anterior.
Design ousado e autonomia impressionante
O novo Jaguar Type 01 chega ao mercado com especificações técnicas robustas, oferecendo uma autonomia de até 724,2 quilômetros com uma única carga. Com dimensões avantajadas de 5,2 metros de comprimento, o veículo de quatro portas traz rodas de 58,4 centímetros, capô longo e teto baixo. O clássico emblema do animal saltando foi reposicionado e agora aparece gravado a laser na lateral do automóvel.
Em entrevista, Rawdon Glover, diretor-geral da Jaguar, afirmou que uma das lições extraídas da reação negativa nas redes sociais foi que o novo modelo não poderia “se resumir à mudança”.
Reposicionamento no segmento premium
Com preço inicial estipulado em 130 mil libras no Reino Unido e o mesmo valor em dólares nos Estados Unidos, o elétrico custa o dobro dos antecessores. A estratégia visa elevar o patamar da companhia após mais de uma década de queda nas vendas, focando em margens maiores.
“Precisamos recolocar a Jaguar como marca consolidada”, comentou Glover, acrescentando que a empresa buscará se tornar “comercialmente relevante” vendendo menos carros a preços mais altos.
A montadora, controlada pela indiana Tata Motors, tem como alvo consumidores urbanos jovens que desejam exclusividade. “Ninguém compra um GT de quatro portas, com 5,2 metros e esse visual, sem querer fazer uma entrada triunfal”, avaliou Glover.
Desafios de mercado e concorrência chinesa
A transição ocorre em um cenário desafiador. Enquanto concorrentes como Ferrari e Bentley também estreiam no setor elétrico, a Jaguar é a única a migrar integralmente para essa tecnologia no momento. Paralelamente, a empresa corta quase 10% de sua força de trabalho global e lida com o avanço agressivo de fabricantes chinesas, como a Chery, no Reino Unido e na Europa.
Analistas do setor apontam que barreiras políticas e culturais também afetam o desempenho comercial. “Nos Estados Unidos, houve uma reação negativa muito forte dos setores mais à direita da população —creio que menos por causa do design em si e mais por causa da… percepção de ‘wokeness’, que parece ter afastado muita gente”, afirmou Ed Kim, analista-chefe da AutoPacific, grupo de pesquisa do mercado automotivo.
“Isso apesar de o conceito central da Jaguar representar, na verdade, um afastamento menor de seu formato tradicional do que o Luce representou para a Ferrari”, avaliou Kim.