Mendonça Filho atinge recorde negativo de derrotas em eleições majoritárias em Pernambuco

Após ficar na terceira colocação na disputa pelo Senado, atrás de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), o ex-governador e deputado federal Mendonça Filho (PL) alcançou a marca de maior número de reveses em pleitos majoritários no estado desde a redemocratização. O político nunca venceu nenhuma disputa desse tipo como titular ao longo de sua trajetória.

Histórico de reveses

Com o resultado recente, o ex-ministro da educação no governo de Michel Temer (entre 2016 e 2018) igualou o senador reeleito Humberto Costa (PT), que também soma seis derrotas na carreira, embora o petista tenha conquistado sua terceira vitória consecutiva para o Senado. As eleições majoritárias são aquelas decididas pelos candidatos com maior votação, abrangendo cargos do Executivo e o Senado, diferindo do sistema proporcional que rege vagas para o Legislativo.

Ao longo dos anos, Mendonça Filho exerceu cargos executivos apenas como vice-governador nas chapas encabeçadas por Jarbas Vasconcelos, em 1998 e 2002. Com a renúncia do titular em 2006, assumiu o governo estadual, mas não conseguiu a reeleição, sendo derrotado no segundo turno por Eduardo Campos (PSB).

Disputas na capital e análises

A trajetória de tentativas ao Executivo municipal do Recife também foi marcada por reveses em três ocasiões: segundo lugar em 2008, quarto em 2012 e terceiro em 2020. Para o Senado, foram duas derrotas consecutivas, nos pleitos de 2018 e 2026.

Fatores estratégicos

Para o cientista político Felipe Ferreira Lima, o político enfrenta barreiras para superar um limite de votos. “Todo político tem o seu teto de crescimento e ele precisa ter consciência desse teto. E quando ele chega nesse teto, precisa pensar em dois fatores importantes. O primeiro é como ele pode crescer a partir dali sem comprometer o que já conquistou, o que vai trazer de adicional no discurso dele para crescer mais que o teto. E o segundo pointo é o cenário, o tabuleiro eleitoral. Ele precisa escolher uma disputa eleitoral em que ele se encaixe com chances mínimas de vitória, olhando para seus adversários. Eu acho que Mendonça na sua trajetória de tentativas majoritárias peca em, ao chegar nesse teto, avaliar esses dois fatores”, afirmou o pesquisador.

O analista também destacou o alinhamento político recente. “Ele precisava não ser tão radical com o bolsonarismo, porque, ao meu ver, o bolsonarismo já vinha por ‘osmose’ para ele, pela falta de opção de outros candidatos, e ele precisava ser comedido para ir atrás dos votos de centro, centro-direita e até centro-esquerda. Ele fez uma campanha extrema para o bolsonarismo, que era o que ele já tinha. Então, o teto era aquele e ele precisava crescer”, concluiu.

Em vídeo divulgado após o encerramento da votação, o ex-governador agradeceu aos eleitores e declarou apoio para coordenar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O pleito estadual também registrou revés inédito para outras lideranças locais, como o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), derrotado pela governadora reeleita Raquel Lyra (PSD).

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