Polícia Federal deflagra operação contra esquema de tráfico em Guarulhos

Uma nova ofensiva da Polícia Federal foi deflagrada nesta quarta-feira (7) para desarticular uma organização criminosa especializada no envio de cocaína para o exterior a partir do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A investida policial cumpre 21 mandados de prisão temporária e 29 ordens de busca e apreensão na Grande São Paulo e no interior mineiro.

Como funcionava o esquema de envio de drogas

As ordens judiciais foram expedidas pelas 1ª e 4ª Varas Criminais Federais de Guarulhos e são cumpridas com o apoio da Polícia Militar nas cidades de Guarulhos, Santo André, São Paulo e Ibitiúra, em Minas Gerais. Batizada de Operação Elenco e Cross Targets, a ação foca em uma rede que utilizava funcionários terceirizados para burlar a segurança aeroportuária.

De acordo com os investigadores, os colaboradores corrompidos aproveitavam o acesso livre a zonas restritas para inserir os entorpecentes diretamente nos compartimentos de carga de aeronaves com destino internacional. Além disso, o grupo realizava a substituição de identificações de bagagens pertencentes à passageiros comuns para despachar o material ilícito.

Origem das investigações e bloqueio de bens

As apurações ganharam força a partir de apreensões anteriores e de prisões em flagrante realizadas em julho de 2025, período em que um funcionário responsável por inserir malas com entorpecentes em um voo para Joanesburgo foi detido. No mesmo mês, o suposto líder da facção criminosa também foi capturado pelas autoridades.

Com base nos materiais coletados, os policiais identificaram ao menos seis remessas ilícitas em um intervalo inferior a três meses, além de uma tentativa frustrada por meio da adulteração de etiquetas. A Justiça determinou o sequestro de bens e valores dos suspeitos até o teto de R$ 4,07 milhões, além de suspender o credenciamento e proibir a entrada dos investigados nas áreas restritas do terminal.

Precedente com brasileiras na Alemanha

O modus operandi da quadrilha remete a março de 2023, quando um casal de Goiânia formado por Kátyna Baía e Jeanne Paolini foi detido injustamente pelas autoridades alemãs. As duas passaram 38 dias encarceradas em Frankfurt sob a acusação de transportarem 40 kg de cocaína, embora as bagagens não fossem delas.

Imagens anexadas ao processo evidenciaram a divergência entre as malas despachadas pelas vítimas e aquelas apreendidas no exterior. Um funcionário terceirizado flagrado mexendo nas bagagens foi preso, gerando desdobramentos como a Operação Iraúna, que culminou na prisão de outros seis suspeitos. A facção criminosa é investigada desde 2019 sob suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os investigados poderão responder perante a Justiça pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsificação e uso de documento falso, enquanto as apurações continuam em andamento.

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