Inúmeras publicações compartilhadas nas redes sociais têm associado o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a medidas drásticas, como a extinção do Bolsa Família, a venda da Petrobras e a privatização do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, uma análise detalhada do plano de governo oficial comprova que essas acusações carecem de veracidade e não constam no documento apresentado pela candidatura.
Checagem de programas sociais e saúde
Embora o programa mencione cortes de gastos e a retomada de desestatizações, ele não cita a privatização da Petrobras nem o fim da Farmácia Popular. No caso da saúde, o texto propõe a contratação de serviços privados apenas para suprir a demanda ociosa e reduzir as filas do SUS, descartando qualquer cobrança direta aos pacientes. Sobre a assistência social, o documento garante a preservação dos auxílios vigentes e prioriza os beneficiários em ações de inserção no mercado de trabalho.
Direitos trabalhistas e previdência
As postagens falsas também alegam o fim da CLT, do décimo terceiro salário, das férias e da aposentadoria. O programa de governo, por sua vez, defende a flexibilização e a redução de custos trabalhistas estritamente “dentro da lei”, ressaltando que tais mudanças ocorrerão “sem retirar direitos”. Além disso, na área previdenciária, o foco recai sobre a modernização e a digitalização do INSS para agilizar a concessão de benefícios.
Outros temas abordados no documento
Assuntos como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) e a escala 6×1 sequer são citados nominalmente nas diretrizes oficiais da campanha. O foco do programa reside na redução da máquina pública, enxugamento de ministérios e revisão de normas tributárias, sem relação com as medidas radicais divulgadas em montagens na internet.
Portanto, a verificação do programa oficial evidencia um abismo entre o que é propagado nas redes digitais e as propostas reais registradas pelo candidato, que preveem ajustes administrativos sem eliminar conquistas sociais básicas.