Seca extrema isola comunidades e prejudica pescadores no Amapá

Pelo menos oito localidades rurais e a zona urbana de Tartarugalzinho, no interior do Amapá, sofrem com os graves impactos de uma forte estiagem. A falta de chuvas tem causado o isolamento de moradores, a escassez de água potável devido ao esvaziamento dos poços e a morte de diversas espécies de animais aquáticos.

Decreto de emergência e impactos na economia

Diante da gravidade do cenário, a administração municipal formalizou a situação de emergência na última sexta-feira (2). Esta é a quarta vez consecutiva que a medida é adotada no período para tentar atrair suporte financeiro e logístico dos governos federal e estadual, visando amparar a população afetada.

Os principais prejudicados por essa crise climática são agricultores familiares, produtores rurais e pescadores. A cadeia produtiva local, que abastece outros municípios amapaenses, sofreu uma paralisação quase total devido aos danos ambientais e à inoperância das vias fluviais.

Dificuldades de navegação e perda de renda

Onde antes havia navegação intensa, agora se formaram extensas faixas de lama e poças rasas. Rios que serviam como rotas de transporte secaram, impedindo o escoamento dos mantimentos e a locomoção dos ribeirinhos.

Segundo Ana Paula Foro, presidente da Colônia de Pescadores Z-12 de Tartarugalzinho, a atividade pesqueira representa a única fonte de sustento para várias famílias locais. Ela destaca que a alta temperatura da água tem provocado a morte dos animais, gerando também um forte odor nas comunidades.

“Os pescadores não estão conseguindo sustentar suas famílias. Eles pescam o peixe e vendem para os atravessadores que transportam o produto para Macapá, Oiapoque e Porto Grande. Com a estiagem intensa e o excesso de lama, eles têm dificuldade para sair da comunidade e chegar aos locais de pesca”, disse Foro.

A crise atinge diretamente regiões como Lago Novo, Terra Firme, Ponta do Socorro, Andiroba, Nova Vida, Aporema, Tartarugal Grande, Duas Bocas e Bom Jesus, além de parte do município vizinho de Itaubal.

“Na comunidade de Lago Novo é ainda pior por causa da influência da maré. Quando a água baixa, o lago fica reduzido a uma poça. Como as famílias dependem da pesca, elas ficam sem condições de capturar peixe para vender”, afirmou.

Antecipação da estiagem e força-tarefa

Conforme dados da Defesa Civil Municipal, o pico da seca costumava ocorrer entre o fim de outubro e o começo de novembro. Contudo, em 2025, o fenômeno climático avançou de forma precoce sobre o território.

“A situação aqui está muito crítica. Nós já chegamos ao ápice da estiagem, nós já estamos com todo o município afetado pela estiagem, já estamos com escassez de recursos hídricos sem precedentes. Isso está comprometendo a pesca, a agricultura, a piscicultura e os poços já estão todos secos”, disse o coronel da Defesa Civil Roberto da Costa.

Para mitigar os danos, uma força-tarefa foi mobilizada reunindo a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e a Secretaria Municipal de Assistência Social. Enquanto isso, o rio Tartarugalzinho exibe grandes bancos de areia e escadas de acesso totalmente expostas pela baixa severa do nível da água.

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