Vídeo no Pantanal flagra ariranhas em disputa por peixe cachara gigante

Um registro impressionante feito no Pantanal mato-grossense chamou a atenção para o comportamento da fauna local. Um grupo de ariranhas foi flagrado em uma intensa disputa por um peixe cachara de grande porte nas águas do Rio Três Irmãos, situado em Poconé, a uma distância de 104 km de Cuiabá.

O flagrante na região de Porto Jofre

O momento foi capturado pela criadora de conteúdo Lyessa Scarlet enquanto navegava pela localidade de Porto Jofre. Na ocasião, ela se deparou com quatro animais, sendo que um deles havia acabado de fisgar uma presa de proporções notáveis. O episódio durou cerca de 40 minutos, período em que o exemplar que capturou o animal evitou a aproximação dos demais enquanto se preparava para a refeição.

“Já vi várias vezes ariranhas capturando e comendo peixes, mas esse foi, sem dúvida, o maior peixe que já vi uma ariranha capturar. Por isso, apesar de já conhecer esse tipo de comportamento, aquela não era uma cena comum para mim”, contou a criadora de conteúdo, que realiza registros da vida selvagem no bioma desde 2019.

Força e biologia das ariranhas

Conforme explica a bióloga Amanda Rodrigues de Oliveira, esses mamíferos carnívoros pertencentes à família dos mustelídeos possuem uma das mordidas mais potentes da categoria, além de se destacarem pela agilidade e força na caça.

“O comportamento padrão da ariranha ao capturar um peixe grande é arrastá-lo para as margens, galhos ou águas rasas para devorá-lo individualmente, começando quase sempre pela cabeça”, explicou a especialista.

Devido ao metabolismo acelerado, um espécime adulto consome entre 3 e 4 quilos de pescado diariamente. Embora vivam em coletivos que variam de três a quinze indivíduos, a alimentação ocorre de forma isolada, sendo a partilha restrita quase sempre aos filhotes.

Indicador de saúde ambiental e cuidados

Além de sua imponência como predadoras oportunistas, as populações dessas lontras gigantes funcionam como bioindicadores. A sobrevivência delas depende diretamente de águas limpas e margens preservadas, tornando-as sensíveis a poluentes como o mercúrio de garimpos.

Especialistas reforçam que, apesar do hábito social, os animais são territoriais. Por isso, ao encontrá-los na natureza, é fundamental adotar medidas preventivas.

“Ao avistar uma ariranha na natureza, os principais cuidados envolvem manter distância segura e jamais oferecer alimentos (prática ilegal conhecida como ‘ceva’)”, pontua a bióloga, destacando que aproximações indevidas podem gerar vocalizações e investidas defensivas.

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