Dúvidas no ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro expõem contradições

As divergências entre os discursos e os planos do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) geram incertezas sobre o programa de reequilíbrio das contas públicas que pretende implementar caso vença o segundo turno das eleições.

Divergências internas sobre o plano fiscal

Embora a equipe econômica prometa uma forte contenção de gastos, as diretrizes apontadas pelo candidato e pela porta-voz Daniella Marques provocam debates nos bastidores. A principal discussão gira em torno da velocidade e da intensidade do corte de despesas no início de uma eventual gestão.

Uma das correntes defende um arrocho inspirado nas medidas adotadas por Javier Milei na Argentina, aproveitando a maioria de direita consolidada no Congresso após o primeiro turno para aprovar PECs a partir de 2027. Por outro lado, há alas que preferem medidas mais brandas para evitar desgaste político inicial.

Promessas de campanha e corte de receitas

Flávio Bolsonaro já declarou publicamente que rejeita medidas impopulares direcionadas aos mais vulneráveis. “Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo, não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com o reajuste da aposentadoria”, afirmou em outubro.

Além disso, o candidato sinalizou cortes de impostos, desoneração da folha de pagamentos e a interrupção temporária da reforma tributária. O pacote estudado pela equipe visa focar nas despesas obrigatórias para alcançar um ajuste de cerca de 2% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 250 bilhões.

Limitações das medidas propostas

Especialistas apontam que as ações oficiais divulgadas até o momento — como extinção de cargos, venda de imóveis federais e combate a fraudes — possuem alcance limitado e seriam insuficientes para atingir a meta fiscal prometida ao mercado financeiro.

Para Bruno Carazza, professor da Fundação Dom Cabral, as indefinições prejudicam a viabilidade do plano. “O mercado está empolgado com a perspectiva de vitória do Flávio Bolsonaro, mas o programa dele é extremamente genérico e tem uma série de contradições. Foi feito para evitar pontos de atrito”, afirma.

Em nota oficial, a coordenação da campanha reforçou o compromisso com a responsabilidade fiscal focada na redução de despesas e privilégios. “Desde 2023, o governo do PT insiste na fórmula oposta: aumenta impostos, amplia gastos e deixa a dívida pública crescer. Não se corrige um problema fiscal cobrando cada vez mais de quem trabalha, produz, investe e gera empregos”, argumenta o texto.

Deixe um comentário