Em meio à disputa histórica entre gigantes do setor como Heineken e Budweiser, a cervejaria familiar espanhola Estrella Galicia tem utilizado o patrocínio à Fórmula 1 e à MotoGP como estratégia central para ganhar relevância no Brasil. A iniciativa é impulsionada pelo ritmo acelerado de crescimento no consumo de cerveja sem álcool em território nacional.
Estratégia no automobilismo e crescimento da categoria
Fundada em 1906 na Galícia, região autônoma no noroeste da Espanha, a marca está presente no país há 14 anos, mas intensificou sua expansão recentemente. Atualmente, a versão zero álcool já representa 10,9% de todo o volume comercializado pela empresa no Brasil em 2026, superando os 9,2% registrados no ano anterior.
“A cerveja sem álcool deixou de estar restrita às situações em que a pessoa não pode consumir álcool e passou a fazer parte de novas ocasiões ligadas a esporte, entretenimento, socialização e equilíbrio”, pontua Juliana Aguiar, diretora-geral da Estrella Galicia.
De acordo com a legislação brasileira, as bebidas classificadas como sem álcool podem conter até 0,5% de álcool residual, enquanto os rótulos indicados como “0,0%” garantem um teor máximo de 0,05%, considerado praticamente indetectável. Dados da World Brewing Alliance apontam que o Brasil já ocupa a posição de segundo maior mercado mundial de cerveja zero álcool, ficando atrás apenas da Alemanha.
Parcerias históricas e novas equipes na Fórmula 1
A relação da cervejaria com a categoria máxima do automobilismo começou em 2015, acompanhando o piloto espanhol Carlos Sainz Jr. desde a sua passagem pela Toro Rosso até a Ferrari. Após acordos com a McLaren, a marca formalizou a continuidade da parceria com Sainz para 2026 e tornou-se a cerveja oficial da equipe Atlassian Williams F1 Team, consolidando 13 anos de colaboração com o piloto. Além disso, a empresa fechou contrato com a Porsche Cup C6 Bank para marcar presença nos boxes e espaços de hospitalidade.
Concorrência acirrada entre as grandes marcas
Outras gigantes da indústria também utilizam o esporte e o entretenimento para impulsionar suas versões sem álcool. A Heineken, patrocinadora oficial da Fórmula 1 desde 2016, aposta em grandes ativações como o Heineken Village no Autódromo de Interlagos. Já a Corona Cero assumiu o posto de cerveja oficial dos Jogos Olímpicos até 2032, enquanto a Bud Zero tem direcionado investimentos para eventos musicais e partidas de futebol americano.
O desafio da fidelização e inovação no ponto de venda
Embora as campanhas de marketing atraiam o consumidor para a primeira compra, a sustentabilidade das vendas depende da qualidade do produto entregue. A inovação recente das indústrias tem buscado oferecer benefícios adicionais além da simples remoção do álcool, como o lançamento da Spaten Pro pela Ambev, uma cerveja escura do estilo Munich Dunkel sem álcool que contém 10 gramas de proteína por lata.
“À medida que o segmento amadurece e a associação com o esporte deixa de ser uma novidade para se tornar regra do setor, a decisão final no ponto de venda dependerá prioritariamente de atributos sensoriais e de produto”, pontua Roberto Kanter, especialista em Marketing e Vendas da FGV (Fundação Getulio Vargas).