Um estudo recente revelou uma média assustadora de 327 ataques por dia contra profissionais da comunicação e veículos de imprensa nas redes sociais X e Instagram durante o primeiro turno do processo eleitoral brasileiro.
Crescimento expressivo das agressões
O monitoramento contabilizou um total de 14.182 investidas direcionadas à imprensa no intervalo entre os dias 16 de agosto e 4 de outubro. O levantamento destacou que a hostilidade escalou de forma significativa conforme a votação se aproximava.
Os registros saltaram de 2.630 casos contabilizados na primeira quinzena para 4.400 ocorrências na segunda metade do período, representando um acréscimo de 67,3%. Na reta final da disputa, o patamar subiu mais 3,1%, atingindo 4.537 episódios hostis.
Metodologia e tecnologia de análise
O trabalho foi conduzido pelo Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), vinculado à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A iniciativa ocorreu em parceria com a Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), grupo que integra dez organizações como Abraji, Fenaj e Repórteres Sem Fronteiras.
Fatores avaliados no monitoramento
Para chegar a esses números, a pesquisa examinou 3,7 milhões de conteúdos digitais, abrangendo publicações e comentários relacionados a candidaturas, repórteres e empresas de comunicação, além de catalogar 652 termos e hashtags pejorativos.
O projeto contou ainda com a participação do ITS Rio, que utilizou a ferramenta Perspective API, desenvolvida pelo Google, para mensurar o nível de toxicidade presente nas postagens.
Impacto na rotina das redações
O clima de hostilidade gerou consequências práticas para o trabalho cotidiano da editoria política. Houve registros de repórteres que sofreram hostilidades ao tentarem contato com fontes, redações sob pressão por causa de suas linhas editoriais e equipes inteiras obrigadas a realizar cálculos rigorosos de risco antes de cobrir as ruas.
Além disso, o levantamento documentou diversos episódios em que jornalistas tornaram-se alvos específicos de ofensas misóginas e ameaças diretas durante o exercício da profissão.