Mais de 3.500 trabalhadores do mercado de apostas perderam seus empregos no Brasil em decorrência da Medida Provisória 1.394, responsável por vedar o funcionamento das bets legalizadas. O dado inicial foi divulgado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e aponta que os desligamentos alcançam 23% da mão de obra consultada, podendo atingir 5,6 mil profissionais em um intervalo de 90 dias.
Impacto operacional e férias coletivas nas empresas
As estatísticas foram reunidas com base em relatórios enviados pelas próprias companhias do setor. Além dos cortes efetivados, 4.167 funcionários foram colocados em férias coletivas. Caso a tendência persista, a parcela de postos eliminados pode alcançar 37% do total mapeado.
Grandes marcas sentiram o baque de forma imediata. A H2Bet dispensou 170 de seus 270 colaboradores, restando apenas um grupo mínimo de operação. A Rivalo encerrou praticamente toda a sua operação nacional, que contava com cerca de 100 especialistas. Em outra frente, um serviço de atendimento telefônico foi totalmente desativado, resultando na demissão de 500 atendentes de call center.
Projeção de perdas e contestações jurídicas
A ANJL estima que o bloqueio promovido pela Medida Provisória 1.394 pode eliminar até 60 mil postos de trabalho, considerando tanto o vínculo direto quanto a cadeia indireta de serviços, que abrange áreas como publicidade, tecnologia e segurança corporativa.
“Estamos diante de um cenário drástico, que decorre diretamente da falta de planejamento do governo ao editar uma Medida Provisória sem estudos prévios”, afirmou Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL e sócio do Betlaw. Segundo ele, empresas autorizadas “viram-se privadas de exercer sua atividade econômica da noite para o dia, sem qualquer aviso prévio”.
Repercussão no mercado corporativo e imobiliário
A Ana Gaming, proprietária da 7k Bet, declarou por meio de nota que a MP “provoca uma grave ruptura de segurança jurídica ao inviabilizar uma atividade que o próprio Estado regulamentou e autorizou”, destacando que a interrupção “compromete empregos, afeta famílias e impõe prejuízos a fornecedores e parceiros”.
O reflexo negativo também atingiu o mercado imobiliário em São Paulo. Relatório da RealtyCorp mostra que corporações do segmento de apostas começaram a devolver grandes áreas de lajes corporativas em edifícios de alto padrão.
Especialistas e executivos do setor reforçam que a transição abrupta prejudica carreiras e investimentos em capacitação. Reginaldo Diniz, CEO da Agência End to End, resumiu que “o dano direto prático é insegurança jurídica”.