A atuação das forças de segurança na França entrou no centro das discussões nesta quinta-feira após o registro de ferimentos graves em adolescentes durante atos estudantis. Milhares de jovens, professores e pais ocupam ruas em várias regiões do país para exigir melhores condições estruturais e pedagógicas nas instituições de ensino, mobilização que já provocou o fechamento parcial ou total de centenas de colégios.
Crise e ferimentos graves em manifestações
Na praça da Bastilha, em Paris, um jovem de 14 anos sofreu fraturas na mandíbula e perdeu vários dentes após ser atingido no rosto por uma granada de gás lacrimogêneo. O agente responsável pelo disparo acabou detido e responderá por violência praticada por funcionário público que resultou em incapacidade permanente. Outros casos semelhantes de agressões severas foram registrados em diferentes cidades do território francês, elevando a tensão entre manifestantes e o poder público.
Impacto na visão e perda de membros
Em Tours, na região do Loire, um adolescente de 16 anos sofreu perda parcial da visão, e o Ministério Público investiga se o dano decorre de munição de controle de distúrbios disparada por policiais. Já em Lens, no norte do país, um estudante de 15 anos teve uma das mãos amputadas após tentar arremessar de volta uma granada lançada pelos agentes na última quarta-feira (8).
Medidas do governo e pressões políticas
Diante da repercussão negativa, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, suspendeu temporariamente o emprego de um modelo específico de bombas de atordoamento até que ocorra o esclarecimento total dos fatos. A administração do primeiro-ministro Sébastien Lecornu enfrenta desgaste crescente, acumulando dezenas de milhares de prisões e dezoito investigações abertas para apurar eventuais excessos da corporação.
Enquanto sindicatos e grupos políticos se incorporam aos atos — que também geraram reflexos com protestos e ocupações na Bélgica e na Itália —, o governo tenta negociar soluções. A expectativa recai sobre os anúncios oficiais previstos para esta noite pela pasta da Educação Nacional, em meio ao cenário de instabilidade política enfrentado pela administração do presidente Emmanuel Macron.