Médica que sugeriu reter altas de pacientes petistas é demitida em Goiânia

O Hospital e Maternidade Célia Câmara, localizado em Goiânia, confirmou a demissão da médica ginecologista e obstetra Marcella Segato. A profissional havia sido denunciada ao Ministério Público Federal após circular em redes sociais o conteúdo de mensagens enviadas por ela em um grupo de WhatsApp, onde sugeria que pacientes não recebessem alta no fim de semana das eleições porque “a maioria é petista”. A unidade de saúde informou que a médica já estava afastada de suas funções na escala de plantão desde o último domingo.

Denúncia e repercussão das mensagens

A representação formal no Ministério Público Federal foi protocolada por um advogado após o material ser repassado por um interno de medicina que preferiu manter o anonimato. De acordo com os registros de tela obtidos, a médica enviou a instrução na sexta-feira, acompanhando o texto com uma representação visual do ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo recebeu reações de diversos colegas de profissão presentes no chat corporativo.

Em outro trecho revelado pelas conversas, datado da noite de quinta-feira, a profissional fez menção a números associados a campanhas políticas e vinculou o voto a pontuações de rodízio na equipe. O caso gerou ampla repercussão negativa e levou a administração municipal e a direção da maternidade a se posicionarem publicamente sobre o ocorrido.

Posicionamento da médica e da instituição

Após a repercussão pública, a ginecologista negou que qualquer conduta clínica tenha sido influenciada por convicções político-partidárias. “O voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação”, afirmou. A profissional também pediu desculpas aos envolvidos e garantiu que todos os procedimentos de liberação hospitalar seguiram estritamente parâmetros técnicos. “Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada”, declarou, destacando seu histórico de atendimentos desde 2017.

Investigação administrativa e ética

A Secretaria Municipal de Saúde e a direção da unidade hospitalar ressaltaram que as decisões de internação e permanência se baseiam exclusivamente na segurança e na ciência médica, repudiando qualquer forma de discriminação. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás informou que apura questões relacionadas à ética profissional sob sigilo e requisitou esclarecimentos formais à administração do estabelecimento de saúde.

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