Duas décadas após o lançamento do primeiro longa e quinze anos depois da sequência, “Se Eu Fosse Você 3” chega aos cinemas brasileiros com a missão de revitalizar uma das comédias de maior bilheteria do país. A premissa clássica da troca de corpos retorna, mas agora colocando um casal heterossexual em crise para lidar com os dilemas e angústias do parceiro ao ocupar seu lugar.
Novos protagonistas e tom repaginado
Na nova trama, a maldição atinge a chef de cozinha Bia, interpretada por Cleo Pires, e seu marido Aquiles, vivido pelo humorista Rafael Infante. Enquanto a equipe criativa buscou afastar o longa das brincadeiras mais tradicionais, a diretora Anita Barbosa destacou: “Não quisemos brincar com [homem usando] salto alto. Essa piada é antiga e já foi bem contada”. A atriz Cleo Pires acrescentou: “A graça agora não é ver um homem fazendo uma mulher, nem o contrário”.
Apesar da tentativa de atualização, o roteiro ainda flerta com algumas situações clássicas ligadas a comportamentos sociais, gerando debates sobre a evolução do humor nas telas.
Visão do elenco e contexto social
O ator Rafael Infante pontuou sobre a permanência de certas nuances: “É legal que permaneça na história, em alguma camada, a diferença entre ser homem e ser mulher, com todas as variações e perguntas que enriquecem essa troca”. Já Gloria Pires, que retorna para uma participação especial ao lado de Tony Ramos, avaliou o resultado final: “Uma atualização foi feita sem deixar o roteiro didático, panfletário. Ficou leve, e o humor não se perdeu”.
O peso das mudanças culturais
O veterano Tony Ramos também comentou sobre as transformações na sociedade e a recepção do público atual: “Essa discussão não existe por causa do politicamente correto. Discordo. Existe porque as pessoas passaram a raciocinar mais. Por isso, os roteiristas tiveram um cuidado”. Ele concluiu reforçando o papel do gênero cinematográfico: “A mudança de comportamento é inexorável. Imagine como serão essas discussões no futuro? Ai de quem não acordar”.
Com participações pontuais de Gloria Pires e Tony Ramos — cujos personagens aparecem de férias —, o terceiro filme abre espaço para novos rumos na história, mantendo viva a tradição das comédias nacionais de grande público nas salas de cinema.