Um evento inédito surpreendeu banhistas e pesquisadores no litoral gaúcho. Na tarde da última quarta-feira (7), uma fêmea de elefante-marinho deu à luz um filhote diretamente na faixa de areia da Praia do Cassino, situada no município de Rio Grande, na Região Sul do estado.
Ocorrência histórica e monitoramento
De acordo com levantamentos oficiais, este é o primeiro registro histórico de nascimento dessa espécie de mamífero marinho em solo gaúcho. O caso ganha ainda mais relevância científica porque representa apenas a terceira ocorrência do tipo documentada em todo o território nacional, conforme aponta a coordenação de projetos ambientais voltados à fauna marinha.
“Só tiveram três nascimentos no Brasil”, diz Sérgio Curi Estima, coordenador do Projeto Pinípedes do Sul.
Logo após a confirmação do parto inédito, equipes do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) isolaram o perímetro para resguardar a fêmea e o recém-nascido. A projeção dos especialistas é de que a mãe permaneça na orla por pelo menos três semanas consecutivas exclusivamente dedicada ao aleitamento, período em que ficará sem retornar ao oceano para caçar.
“A gente vai ter a oportunidade de ver ele crescer aqui na nossa praia. Ele pode ganhar em torno de 5 a 8 kg por dia, só com o alimento da fêmea”, explica o especialista.
Comunicação sonora e contexto na areia
Os pesquisadores que acompanham o caso de perto também destacam a intensa troca de sinais acústicos entre a mãe e o filhote nas primeiras horas de vida, um mecanismo fundamental para o reconhecimento mútuo em meio ao ambiente de praia aberta.
“Após o nascimento, as primeiras horas, tem uma vocalização entre fêmea e filhote para eles se encontrarem. Imagina que aqui, se eles estivessem em uma colônia, seriam milhares de animais. Então, a vocalização é muito importante para eles se encontrarem e para saber quem é a mãe e o filhote”, detalha Sérgio.
Recomendações de segurança para banhistas
Para garantir que o filhote se desenvolva sem estresse, o órgão ambiental reforça que os curiosos devem evitar aglomerações nas proximidades. É fundamental respeitar estritamente o isolamento da área, manter distância segura e abster-se de gerar qualquer tipo de ruído excessivo.
Um dos maiores alertas emitidos pelas autoridades diz respeito à circulação de pets na faixa de areia durante esta fase delicada de amamentação.
“O maior problema que a gente pode ter nesse momento é a presença de cachorros”, afirma o representante do Nema.
Outras aparições na mesma semana
O nascimento histórico ocorreu apenas um dia depois de outro avistamento na mesma região. Na terça-feira (6), um exemplar macho de grande porte foi visto descansando próximo à antiga passarela de acesso da Praia do Cassino.
O Centro de Recuperação aos Animais Marinhos (Cram) esclareceu que essas passagens não são rotineiras, mas ocorrem quando os animais utilizam o litoral gaúcho como ponto de parada para descanso durante longas rotas de deslocamento pelas correntes marinhas.