O governador virtualmente eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), é policial civil concursado desde 2013, mas construiu sua trajetória ocupando cargos políticos desde 2017. A ascensão do político está fortemente ligada ao seu pai, o prefeito de São Gonçalo, capitão Nelson (PL), e ao deputado federal Altineu Côrtes (PL), vice-presidente da Câmara dos Deputados.
Ascensão ao governo estadual
A proclamação oficial como governador eleito pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro ocorrerá devido à decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de anular os votos do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). Com isso, Ruas passa a somar 50,88% dos votos válidos, garantindo a vitória ainda no primeiro turno da eleição de 2026.
Deputado de primeiro mandato, ele estruturou sua campanha posicionando-se como o principal representante do bolsonarismo no estado fluminense. A estratégia política também visava associar seu principal adversário na disputa, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), à imagem do presidente Lula.
Carreira na segurança e entrada na vida pública
Antes de ingressar de fato na vida pública, o governador virtualmente eleito teve uma breve atuação efetiva na Polícia Civil, corporação na qual ingressou em dezembro de 2013 com passagens pela 81ª DP (Itaipu) e pela Delegacia de Homicídios de Niterói. Em 2017, foi cedido para a Prefeitura de São Gonçalo para assumir o posto de subsecretário do Trabalho.
Dois anos mais tarde, assumiu a Superintendência Regional da Baía de Guanabara no Inea (Instituto Estadual do Ambiente), órgão que na época estava sob a influência de Altineu Côrtes. Com o início da gestão do pai na prefeitura gonçalense em 2021, Ruas tornou-se secretário municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais, atuando como um gerente de investimentos e ganhando projeção para disputar cargos eletivos.
Trajetória legislativa e gestão estadual
Em 2022, disputou sua primeira eleição e conquistou uma vaga de deputado estadual com a segunda maior votação do estado, registrando 175.977 votos, sendo a grande maioria concentrada em seu reduto eleitoral, São Gonçalo. Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), permaneceu por apenas nove meses antes de assumir, em setembro de 2023, a Secretaria Estadual de Cidades na gestão de Cláudio Castro (PL).
À frente da pasta, comandou obras de infraestrutura urbana em diversos municípios fluminenses, além de gerenciar a implantação de um corredor de ônibus em São Gonçalo orçado em R$ 320 milhões. Posteriormente, após idas e vindas judiciais que anularam uma primeira votação, Ruas chegou a ser eleito presidente da Alerj.
Apesar de seu histórico político e administrativo, a gestão de Ruas e seus negócios particulares também enfrentam escrutínio. Uma auditoria realizada durante o mandato interino apontou possíveis irregularidades em contratos da Secretaria das Cidades, e transações imobiliárias de sua empresa tornaram-se alvo de investigações da Procuradoria-Geral de Justiça para apuração de crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.