Aliados do senador Flávio Bolsonaro avaliam que a escolha do médico Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde atua como um escudo para proteger a campanha presidencial contra críticas à gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia. A decisão reduz as margens para especulações de que a campanha adotaria um perfil negacionista na pasta.
Estratégia eleitoral e resistência interna
Apesar de servir como um trunfo eleitoral na avaliação de conselheiros e integrantes do centrão, a permanência de Lottenberg no cargo em caso de vitória é vista como incerta. Parte da base mais radical do bolsonarismo resiste ao nome devido a críticas passadas do médico à condução da crise sanitária anterior, o que gerou atritos nas redes sociais e exigiu um pacto de trégua interna na campanha.
Orçamento bilionário e cobiça política
O Ministério da Saúde movimenta recursos expressivos, com um orçamento de R$ 270 bilhões, dos quais cerca de R$ 70 bilhões são verbas discricionárias. A pasta também se destaca como o principal destino de emendas parlamentares, atraindo forte interesse de partidos políticos e alimentando apostas de eventuais substituições na titularidade do cargo.
Histórico político e movimentações
O médico já manteve proximidade com diferentes correntes ideológicas ao longo das últimas duas décadas, tendo atuado como secretário municipal na gestão tucana em São Paulo e dialogado com nomes de esquerda e direita. Após o anúncio de sua indicação por Flávio Bolsonaro, ele se afastou de cargos de liderança no Hospital Israelita Albert Einstein, na Conib e na farmacêutica Biomm.
Em meio às especulações e questionamentos sobre trocas na indicação, a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou, e o próprio médico optou por não responder aos questionamentos da imprensa sobre o tema.