Astrônomos encontram planeta raro formado após a morte de estrela

Cientistas identificaram um corpo celeste inédito que desafia as concepções tradicionais sobre a evolução cósmica: um mundo originado diretamente dos detritos espalhados durante a fase terminal de um astro semelhante ao Sol. O exoplaneta agora gira em torno do núcleo denso que restou do processo, uma anã branca localizada na direção da constelação de Cetus, a aproximadamente 250 anos-luz do nosso planeta.

Este é o primeiro exemplo de um planeta se formando ao redor de uma anã branca, disse Jamie Williams, doutorando em astrofísica na Universidade de Warwick, na Inglaterra. Ele é o principal autor do estudo publicado na última segunda-feira (5) na revista Nature Astronomy.

Renascimento a partir de restos estelares

Diferente da Terra e dos demais planetas convencionais, formados em discos protoplanetários ao redor de estrelas jovens, o astro recém-descoberto pertence a uma classe conhecida como planeta de segunda geração. A comprovação dessa origem incomum veio da sua composição química, repleta de cobre, zinco e nióbio — substâncias expelidas violentamente quando estrelas de determinado porte chegam aos seus momentos finais.

Nos mitos, uma fênix renasce das próprias cinzas. No caso deste planeta, ele renasceu das cinzas de sua estrela hospedeira moribunda e, portanto, o sistema planetário também renasceu. Um planeta de segunda geração é definido como aquele que nasce após a morte de sua estrela hospedeira —neste caso, depois que ela se tornou uma anã branca, explicou Williams.

Para chegar a essas conclusões, o grupo de pesquisadores cruzou informações colhidas pelos telescópios espaciais Tess, Fuse e Hubble, com a expectativa de utilizar o Telescópio Espacial James Webb para análises complementares.

Proximidade extrema e potencial para mundos habitáveis

O astro em questão é um gigante gasoso com massa ligeiramente superior à de Júpiter. Ele completa uma volta em torno de sua anã branca em apenas 4,4 dias terrestres, mantendo uma órbita equivalente a 4% da distância entre a Terra e o Sol. Essa proximidade severa faz com que a forte radiação ultravioleta do remanescente estelar evapore a camada externa da atmosfera planetária, atraindo parte dos gases de volta para o núcleo estelar.

Embora essa fornalha espacial impeça o desenvolvimento de formas de vida no local, o achado abre uma perspectiva animadora para a astrobiologia, já que a esmagadora maioria das estrelas da Via Láctea terminará o ciclo de vida como anãs brancas.

As anãs brancas são muito mais comuns do que os pulsares, e mais de 95% das estrelas da Via Láctea evoluirão até se tornar anãs brancas. Portanto, haveria muito mais planetas de segunda geração ao redor de anãs brancas do que de pulsares, afirmou Williams.

O astrofísico ainda destacou a possibilidade de outros sistemas abrigarem condições mais brandas: Se um gigante gasoso se formou ao redor de uma anã branca, então um planeta rochoso também poderia se formar, disse o pesquisador. As anãs brancas esfriam de maneira previsível ao longo do tempo e, à medida que ficam mais frias, seu resfriamento desacelera. Portanto, se um planeta rochoso de segunda geração se formasse perto o suficiente da anã branca, poderia permanecer na zona habitável por bilhões de anos.

Parceria cósmica incomum na constelação de Touro

Em uma publicação paralela na mesma revista científica, outro grupo de astrônomos revelou um par astronômico peculiar a uma distância entre 300 e 500 anos-luz da Terra. Utilizando a estrutura do Zwicky Transient Facility, localizado no Observatório Palomar, nos Estados Unidos, os cientistas encontraram uma anã vermelha com 8% da massa solar em interação direta com uma anã marrom.

A anã marrom — corpo intermediário com tamanho equivalente a cerca de 30 vezes a massa de Júpiter — orbita a estrela a cada 87 minutos, separada por um espaço pouco maior que a metade do trajeto entre a Terra e a Lua. Devido à atração gravitacional implacável da anã vermelha, o astro vizinho tem sua matéria constantemente sugada, criando um ponto quente visível onde o material colide com a superfície estelar.

Este é o primeiro exemplo observado desse fenômeno, disse Aaron Householder, estudante de pós-graduação em astrofísica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e principal autor do estudo. Os dois objetos estão tão próximos que toda a órbita caberia dentro do Sol.

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