Emendas parlamentares trazem votos em cidades pequenas, mas não garantem reeleição

O aumento expressivo de recursos públicos reservados para a alocação de deputados federais não resultou na disparada esperada das taxas de reeleição no país. O índice de sucesso dos parlamentares que tentaram um novo mandato ficou em 72%, patamar similar ao registrado em 2002 e inferior aos números observados em 2010 e 2014.

Metodologia e análise territorial

Para mensurar o peso real dos recursos na disputa, foram cruzadas as emendas individuais pagas entre 2024 e 2026, obtidas no Siop (Sistema Integrado de Orçamento e Planejamento), com os boletins de votação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em todas as cidades dos estados correspondentes. O cruzamento gerou mais de 142 mil pares de deputado e município, desconsiderando o orçamento de 2023, candidaturas com situação sub judice e trocas de estado.

À primeira vista, os números parecem distantes: a média de votos obtidos em 2026 foi de 6,7% nas localidades contempladas com verbas, contra apenas 1% nas demais. No entanto, o cenário de 2022 já apresentava proporção semelhante, com 5,9% e 1%, respectivamente, o que demonstra que os políticos priorizam redutos onde já contam com base eleitoral consolidada.

O peso das pequenas cidades

O impacto positivo das transferências se manifesta com maior intensidade em municípios de pequeno porte, conforme aponta a literatura de ciência política. Em localidades com até 5 mil habitantes, o acréscimo médio entre os pleitos foi de 1,3 ponto percentual, enquanto nas metrópoles com mais de 500 mil moradores o índice ficou em 0,2. Nessas regiões menores, a visibilidade do investimento é maior, embora o montante de eleitores seja reduzido.

A dinâmica das emendas Pix

As chamadas transferências especiais, conhecidas popularmente como emendas Pix, registraram correlação levemente superior, com avanço de 1 ponto percentual frente a 0,7 das demais modalidades. A maior flexibilidade dessas verbas, que caem diretamente nos cofres municipais sem exigência de convênio prévio, pode facilitar a associação entre a administração local e a atuação do parlamentar.

Impacto limitado nas urnas

Ao categorizar 409 deputados postulantes à reeleição em cinco faixas conforme o volume de recursos direcionados, constatou-se que não há correlação direta entre o montante financeiro e o êxito eleitoral. As taxas de vitória variaram de forma dispersa entre 67% e 78%, sendo que metade dos parlamentares recebeu quantias concentradas entre R$ 87 milhões e R$ 105 milhões.

Modelos estatísticos aplicados indicam que o desempenho prévio nas urnas é um indicador de sucesso muito mais confiável do que o volume de verbas destinadas. Dessa forma, a tese de que o repasse de recursos atua como ferramenta de blindagem para os mandatos perde sustentação diante da análise empírica dos dados.

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