O Hospital de Caridade São Pedro D’Alcântara, localizado na cidade de Goiás, iniciou uma mobilização pública chamada “SOS Hospital São Pedro” com o objetivo de captar R$ 500 mil. A quantia servirá como o montante inicial para parcelar um passivo estimado em R$ 10 milhões, evitando assim o fechamento definitivo das portas da unidade de saúde histórica.
Situação financeira e diagnóstico dos débitos
De acordo com a diretoria, o levantamento minucioso identificou obrigações trabalhistas, sociais e tributárias, especialmente de âmbito federal. A gestão mapeou o custo de cada pendência para viabilizar as tratativas com os credores.
“Já levantamos os valores de cada débito e as respectivas entradas necessárias para formalizar os parcelamentos. Portanto, temos um diagnóstico financeiro organizado e sabemos quais recursos precisamos viabilizar para avançar na regularização dessas pendências”, explica Daniela Ruskaya, diretora do hospital.
Impacto na certificação e atendimento pelo SUS
A regularização dos débitos é vital para resgatar certidões e assegurar a manutenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas). O setor filantrópico responde por mais da metade dos procedimentos de média e alta complexidade custeados pelo Sistema Único de Saúde.
Como as tabelas de repasse governamentais historicamente ficam abaixo dos custos operacionais, o certificado atua como pilar de sustentação econômica. O passivo acumulado figurou entre os motivos para o indeferimento da certificação atual.
“A receita que o hospital recebe pelos atendimentos realizados pelo SUS e pelos não tem sido suficiente para cobrir todas as despesas operacionais e, ao mesmo tempo, regularizar o passivo financeiro acumulado ao longo dos vários e vários anos”, diz Daniela, que assumiu a gestão do hospital há nove meses.
Origem do passivo e apoio comunitário
A administração aponta que os problemas financeiros derivam de gestões passadas, com raízes em 2013. As exigências de entrada feitas por credores historicamente superam a capacidade de geração de caixa da instituição.
“São dívidas que vêm de gestões anteriores, com pendências que remontam a 2013. Hoje, o hospital enfrenta uma dificuldade muito grande para negociar esses débitos, porque as entradas exigidas pelos credores são incompatíveis com a capacidade financeira que a instituição consegue gerar atualmente, considerando também todas as despesas necessárias para manter a assistência à população”, pondera Ruskaya.
A campanha aceita doações de qualquer montante por meio de apelos direcionados à população local. “O Hospital São Pedro já cuidou de tantas gerações. Agora, precisamos que você cuide dele”, convoca a campanha.
“Ainda tivemos um retorno muito pequeno diante da dimensão da nossa necessidade, mas seguimos otimistas e confiantes de que a mobilização vai ganhar força. Sabemos que não é uma situação que se resolve de um dia para o outro, mas cada contribuição faz diferença”, conclui a diretora.
Fundado em 1825, o hospital completou 201 anos em 2026 e atende uma região de 46 municípios, beneficiando cerca de 430 mil habitantes com 51 leitos, 10 deles de UTI, e gerando aproximadamente 200 empregos diretos.