O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,82% em setembro, revertendo a trajetória de deflação observada em agosto, quando o indicador marcou -0,32%. O resultado foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que aguardava avanço de 0,76%.
Impacto da energia e mercado financeiro
A retomada da inflação era amplamente esperada por economistas devido ao encerramento do bônus de Itaipu no mês anterior. Esse desconto temporário concedido nas faturas de energia havia provocado a queda dos preços registrada em agosto. As estimativas coletadas pela agência Bloomberg variavam de um piso de 0,63% até o teto de 0,82% alcançado.
Com o avanço mensal, o índice oficial de preços passou a acumular alta de 4,58% no período de 12 meses, superando a leitura anterior de 4,22%. Vale destacar que o teto da meta estabelecida pelo Banco Central é de 4,5%.
Cenário eleitoral e o peso dos preços
O custo de vida figura como um dos principais elementos da corrida presidencial em curso no Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao primeiro turno das eleições com a menor inflação acumulada em um mandato desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994.
Apesar disso, o atual mandatário ficou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa de primeiro turno realizada em 4 de outubro, precisando reverter a desvantagem no segundo turno marcado para o dia 25 do mesmo mês. Analistas apontam que o descontentamento popular com o patamar de preços prejudica o desempenho eleitoral do governo. Embora itens essenciais como os alimentos tenham subido em ritmo mais brando na gestão petista, a variação incidiu sobre um patamar de custos que já castigava o orçamento familiar desde o período da pandemia, cenário explorado pela oposição.
Projeções e o futuro da taxa Selic
O boletim Focus do Banco Central, divulgado em 5 de outubro, aponta que a mediana das projeções financeiras indica um IPCA de 5,01% para o acumulado de 12 meses até dezembro de 2026, patamar que permanece acima do teto oficial de 4,5%. A regra estabelece o descumprimento da meta quando o índice permanece por seis meses consecutivos fora do intervalo de tolerância, que possui centro de 3% e piso de 1,5%.
Outro ponto de atenção para os próximos meses é o fenômeno climático El Niño, que desafia o agronegócio ao alterar o regime de chuvas e ameaça encarecer tanto os alimentos nas cidades quanto os custos no setor energético.
O IPCA serve como balizador fundamental para a política monetária conduzida pelo Banco Central. A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 13,75% desde setembro, e o Copom (Comitê de Política Monetária) tem nova reunião agendada para os dias 3 e 4 de novembro para definir os próximos passos da economia.