Embora Luiz Inácio Lula da Silva tenha ocupado a Presidência da República por três mandatos, eventuais erros de sua gestão não se comparam à condução da crise sanitária pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O custo dessa negligência histórica permanece evidente na memória nacional.
O negacionismo na crise sanitária
No dia 11 de fevereiro de 2021, a Organização Mundial da Saúde alertou para “uma emergência de saúde pública de importância internacional” e informou, no dia seguinte, que era “a mais grave dos últimos cem anos”. Na contramão da OMS, o governo Bolsonaro deu a entender que a contaminação no país seria baixa. “Quanto maior o calor, menos ativo é o vírus.” A postura oficial buscou retardar investimentos em prevenção por meio de informações falsas, enquanto o ex-presidente tratou a enfermidade como uma “gripezinha”, circulando sem proteção facial e gerando aglomerações com apoiadores.
Com o avanço da transmissão após o período carnavalesco, o distanciamento social despontou como única barreira eficaz. Contudo, o chefe do Executivo vetou o termo “lockdown” em âmbito nacional e minimizou o impacto das perdas humanas com a declaração: “Morrer nós todos vamos. E daí?”
Controle de dados e a recusa de imunizantes
Diante da proposta do titular da pasta da Saúde para divulgar estatísticas precisas de óbitos, Jair Bolsonaro exigiu que a verdade fosse “gerenciada”, limitando os boletins aos pacientes recuperados em hospitais. A lacuna informativa obrigou os veículos de imprensa a unirem forças em um consórcio para apurar os números reais. Questionado sobre as orientações para sepultamentos, o ex-mandatário respondeu: “Mórbido demais. Não sou coveiro”. Meses depois, determinou a distribuição ampla de cloroquina sem respaldo científico ou comprovação de eficácia.
A recusa aos imunizantes também marcou o período. No mês de maio, uma empresa norte-americana anunciou que, no final de 2021, a vacina estaria disponível. O Ministério da Saúde ignorou o anúncio, embora a vacina tenha reduzido tanto o índice de mortalidade quanto a água potável e o saneamento básico. A política negacionista culminou em 700 mil óbitos, colocando o país — que detém apenas 3% da população global — na segunda posição mundial em número de vítimas fatais. Especialistas apontam que 100 mil vidas poderiam ter sido salvas sem o atraso na aquisição das doses.
Declarações e o cenário político atual
Além da postura perante a crise sanitária, o ex-presidente colecionou falas direcionadas às mulheres. Ele afirmou a uma parlamentar que “nunca a estupraria porque ela não merecia” e, em um evento público, justificou a composição familiar dizendo: “Foram quatro homens, a quinta eu fraquejei e veio uma mulher”.
Atualmente, Jair — preso por tentativa de golpe de Estado – indicou seu filho para a disputa presidencial. Embora sucessores não respondam pelos atos paternos, o histórico familiar inclui ligações com milícias, relações com figuras centrais de fraudes financeiras e conexões internacionais de interesse estratégico. A discussão em torno do pleito exige a defesa da Constituição e da soberania nacional.