O copiloto da Flydubai que tentou assumir o comando de um voo com destino a Tel Aviv planejou um atentado suicida em Israel tendo como referência os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. A intenção era colidir a aeronave contra um terminal do Aeroporto Internacional Ben Gurion, conforme revelado pelo procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, Hamad Saif al-Shamsi.
Investigação detalha preparação e ataque no ar
De acordo com a agência estatal de notícias WAM, a apuração aponta que o indivíduo realizou dois voos anteriores para a mesma localidade com o objetivo de se familiarizar com a rota e com o terminal aeroportuário. Esta é a primeira confirmação oficial de que o plano terrorista teve como inspiração os atentados norte-americanos.
O ataque ocorreu enquanto o avião sobrevoava o espaço aéreo da Arábia Saudita. O copiloto utilizou um machado de emergência, ferramenta padrão de cabine para situações críticas, para atacar o comandante. A agressão provocou uma queda abrupta de quase 5.000 metros em apenas 30 segundos, antes que o agressor fosse imobilizado e a aeronave pousada com segurança por outros dois pilotos em território saudita. O suspeito, de nacionalidade omanita, foi posteriormente extraditado para os Emirados Árabes Unidos.
Perfil profissional e histórico de radicalização
Os exames realizados pelas autoridades sobre os protocolos de contratação da empresa aérea demonstraram que o suspeito preenchia todas as exigências técnicas e de segurança, possuindo habilitação válida e certidão de bons antecedentes.
“No entanto, nenhum dos procedimentos revelou qualquer indício de suas opiniões extremistas ou de sua intenção de executar um plano terrorista”, acrescentou Shamsi.
Com 29 anos de idade, o homem havia passado por diferentes companhias aéreas internacionais, incluindo a Oman Air, antes de ser contratado pela Flydubai no início de 2026. Os levantamentos indicam que ele já demonstrava inclinação ao extremismo desde 2017, período em que cursava estudos na Austrália. Antes de integrar a empresa atual, ele ainda realizou um treinamento de três meses na Royal Air Maroc em 2025, mas teve a contratação efetiva negada.
Identificação e preparação para o crime
Apesar de o nome não ter sido divulgado oficialmente pelas autoridades emiratis, uma fonte com conhecimento do caso confirmou à agência Reuters que o investigado se chama Hammam al-Hammami. O Ministério Público informou que o autor relatou ter realizado preparação física e mental para a execução do ato, o que incluiu o consumo de material de propaganda extremista e a prática de boxe.
Paralelamente, o governo da Arábia Saudita instaurou um procedimento próprio de segurança para apurar os fatos relacionados ao voo FZ1073. O comunicado oficial do Ministério Público não apontou falhas operacionais por parte da companhia aérea, e a empresa optou por não emitir declarações adicionais sobre o caso.