A coligação do presidente Lula protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) no Tribunal Superior Eleitoral exigindo a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro. Os advogados alegam o uso irregular das redes sociais de Pablo Marçal para a difusão de propaganda eleitoral e informações falsas, solicitando a suspensão liminar do perfil do influenciador no Instagram, que possui 14,1 milhões de seguidores.
Abuso econômico e o caso b22token
Além da suspensão das contas, a representação jurídica requer o bloqueio do site B22token. A plataforma distribui criptomoedas a internautas que compartilham mensagens e vídeos pró-Flávio, prática que a legenda classifica como abuso do poder econômico. A estratégia utiliza um perfil internacional com milhões de seguidores e envolve até mesmo crianças africanas em campanhas de incentivo ao voto.
A defesa petista argumenta que a campanha omitiu a inclusão do perfil de Marçal como canal oficial de propaganda junto à Justiça Eleitoral. Com isso, a conta continuaria se beneficiando de recomendações algorítmicas, o que é proibido pelas normas vigentes para páginas de campanha.
Respostas e posicionamentos oficiais
Procurada, a campanha de Flávio afirmou: “Pablo Marçal não integra a estrutura da campanha de Flávio Bolsonaro, é um apoiador político publicamente declarado.” Segundo a campanha, “quanto a AIJE protocolada por Lula, ele deveria no mínimo disfarçar a ‘cara de pau’ já que, somente na noite de ontem, em um intervalo de meia hora, o TSE determinou a retirada de quatro publicações dele, sua esposa Janja, além de seus amiguinhos (deputado) Lindbergh (Farias) e (deputado André) Janones.” A assessoria também negou qualquer vínculo com o esquema de criptomoedas, prometendo medidas judiciais para derrubar a página.
Em resposta a questionamento da Folha, Marçal afirmou: “Desespero do PT já ultrapassou o ridículo. Eu fui candidato, sou um brasileiro livre e não devo satisfação pra quadrilha nenhuma. Não chegou nenhuma notificação sobre postagem por aqui.”
Estratégias contestadas na justiça
A petição destaca que a atuação do influenciador repete táticas empregadas na disputa municipal de São Paulo, focando na massificação de conteúdos e montagens que desequilibram o pleito. O advogado Michel Bertoni Soares pontua: “As estratégias adotadas e que são combatidas na ação são uma repetição daquilo que Pablo Marçal já fez na eleição 2024: utilização de ampla penetração nas redes sociais para disseminar desinformação e deep fakes.”
Complementando os argumentos, a advogada Maíra Recchia ressalta: “A atuação de Pablo Marçal, agora publicamente integrado à campanha, alcançou milhões de pessoas e apresenta potencial concreto de desequilibrar a disputa eleitoral.”
Por fim, Kevim Flores, idealizador do projeto B22, participou de transmissões ao vivo discutindo o alcance eleitoral da iniciativa ao lado de aliados do influenciador. Enquanto o caso segue em análise na corte eleitoral, o embate jurídico sobre o uso de recompensas financeiras e impulsionamento irregular promete novos desdobramentos na corrida presidencial.