Um material inédito acumulado ao longo de décadas está prestes a ganhar as telas do cinema. A jornalista Claudia Faissol, mãe de Luísa Carolina, filha caçula de João Gilberto, planeja transformar um vasto arquivo sobre o ícone da Bossa Nova em um documentário. O projeto conta atualmente com um curta-metragem de 15 minutos já editado e um roteiro de longa-metragem que ainda aguarda definição de título.
Busca por parcerias e acervo histórico
O objetivo atual é encontrar uma produtora interessada em viabilizar, preservar e distribuir o material, com preferência por empresas capazes de levar o projeto para o mercado internacional. Ainda não há orçamento fechado nem um diretor definido para o filme. O espólio inclui registros feitos desde a década de 1990 em diversas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Angra dos Reis, além de capitais internacionais como Nova York, Tóquio, Buenos Aires e Paris.
“JG autorizou tanto a biografia como o documentário em documentos com firma reconhecida em cartório”, diz Faissol. A Folha teve acesso a duas autorizações formalizadas em cartório, datadas de 2000 e 2005, sendo que a mais recente detalha a captação de recursos e a produção audiovisual.
Memórias preservadas e resistência a câmeras
A maior parte das fotos e vídeos foi captada pela própria jornalista ou por cinegrafistas contratados após o nascimento de Luísa, em 2004. O material esbarra na famosa aversão do artista a registros visuais que não estivessem sob seu controle direto. “Ele dizia que não conseguia sentir-se à vontade em saber que estava sendo filmado”, diz ela.
Documentos e reconhecimento internacional
Além das imagens e cenas caseiras, o arquivo guarda correspondências históricas, como um convite enviado em 2016 pela Universidade Columbia, em Nova York, para que o músico recebesse o título de doutor em música honoris causa. “Estou feliz e honrado. Obrigado por esse prestigioso reconhecimento”, diz o texto em inglês assinado por João em 20 de janeiro de 2017.
Enquanto a disputa sobre a sucessão e os direitos autorais segue em andamento nos tribunais — envolvendo os herdeiros e questões de união estável —, Faissol foca na preservação das memórias. “Estou em busca de recursos para preservar o acervo de imagens e realizar o documentário e o filme”, afirma. “Todo tipo de apoio será importante em todas as etapas do audiovisual, ajuda de produção, distribuição, exibição.”