O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um prazo de 72 horas para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresente esclarecimentos sobre uma ação protocolada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o deputado federal André Janones (Rede-MG).
Pedidos contra a chapa e redes sociais
Na representação jurídica, a campanha do senador exige a cassação do registro ou do diploma da chapa governista, além da decretação de inelegibilidade dos envolvidos por supostas irregularidades. Os advogados também requisitaram a suspensão imediata do canal de WhatsApp “Exército do Lula” e do perfil @janones.apoio no Instagram, junto com a remoção de postagens, o bloqueio de impulsionamentos e a preservação de registros digitais.
O ministro corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, apontou a urgência de verificar se os pleitos formulados já constam em outros processos da Justiça Eleitoral e de delimitar o escopo das solicitações antes de qualquer decisão liminar. Além disso, a defesa tem cinco dias para entregar os arquivos digitais originais, como vídeos e mensagens, que ficaram de fora do processo eletrônico.
Acusações de desinformação e resposta
A representação aponta que o parlamentar mineiro supostamente comanda uma rede de disseminação de boatos e ataques contra o candidato da oposição. O canal de mensagens citado contava com aproximadamente 1,9 milhão de seguidores em outubro e superou a marca de 3 milhões de inscritos, com distribuição de orientações para compartilhamento de conteúdos e uso de verbas públicas em impulsionamentos negativos.
Nas redes sociais, Janones afirmou que a campanha de Flávio Bolsonaro tenta derrubar o canal “Exército do Lula” no WhatsApp justamente quando o grupo se preparava para intensificar a mobilização de apoiadores no segundo turno.
Segundo o deputado, ele já havia se reunido com a equipe de Lula para definir os conteúdos que seriam divulgados e o presidente havia se comprometido a gravar novos vídeos para atrair mais participantes ao canal.
Tramitação e defesa dos investigados
Embora tenha adiado a avaliação das medidas urgentes, o magistrado aceitou o processamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral e ordenou a notificação de Lula, Alckmin e Janones para que entreguem suas defesas em um prazo de cinco dias. O ministro ressaltou que o recebimento do caso não valida as acusações de forma automática e rejeitou o pedido de sigilo integral para o processo.