Flávio Bolsonaro exalta pai em ato e Lula defende combustível barato

A quinze dias da votação do segundo turno, marcada para 25 de outubro, os candidatos à presidência intensificaram as agendas de campanha neste sábado (10). Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) participou de uma carreata no Rio de Janeiro exaltando o pai, o presidente Lula (PT) esteve em Natal para defender as medidas econômicas recentes voltadas para a contenção do preço dos combustíveis.

Campanha no Rio de Janeiro e visitas familiares

Em São Gonçalo (RJ), Flávio percorreu as ruas ao lado de Douglas Ruas (PL), governador eleito do estado. Durante o ato, declarou aos eleitores que aqueles que “tentaram calar Jair Messias Bolsonaro” contribuirão para sua vitória e reiterou o desejo de receber a faixa presidencial das mãos do ex-presidente caso saia vitorioso do pleito.

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março por motivos de saúde, após ter sido condenado em setembro de 2025 pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado em 2022. Flávio prometeu conceder indulto ao pai se for eleito, embora especialistas apontem que ele continuaria inelegível. Em Brasília, o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL) visitou o pai e relatou que o ex-presidente demonstra otimismo com a disputa eleitoral.

Ato religioso e repercussão política

Mais tarde, Flávio compareceu a um culto comemorativo ao centenário da Assembleia de Deus Ministério Madureira, realizado no ginásio Maracanãzinho, na zona norte fluminense. Conduzido pelo bispo Samuel Ferreira, o evento contou com um coro que repetiu diversas vezes o lema “irmão vota em irmão”. O uso da estrutura religiosa em campanhas pode ser analisado pela Justiça Eleitoral sob o aspecto de abuso de poder religioso.

Ao convidar o senador ao púlpito, o bispo o apresentou como futuro presidente, gerando coros de apoio do público com o número da urna. Diante da manifestação, o candidato afirmou: “O bispo não pediu, mas a igreja está pedindo”. O evento também teve a presença de aliados como a coordenadora econômica Daniella Marques, a vice-governadora eleita Fernanda Louback e o pastor Silas Malafaia.

Defesa de pacote econômico em Natal

No Rio Grande do Norte, Lula participou de ato político em prol da candidatura de Cadu de Lula (PT) ao governo estadual. Do alto de um trio elétrico, o petista defendeu o pacote de medidas anunciado na sexta-feira (9) para conter a alta dos combustíveis, atribuída pelo governo aos reflexos da guerra no Irã.

“Estamos subsidiando para que o preço da guerra não chegue no pão do povo, não chegue no leite do povo”, disse.

Detalhes do pacote de combustíveis

As ações econômicas, previstas para durar 30 dias com custo estimado de R$ 5,2 bilhões, zeram os impostos federais sobre a gasolina — gerando desoneração de R$ 0,89 por litro —, renovam a subvenção ao etanol em R$ 0,19 por litro e criam um subsídio de R$ 1,40 por litro para o diesel importado. O Ministério da Fazenda negou motivação eleitoral para a medida.

Durante seu discurso, Lula também criticou os planos da equipe econômica adversária de promover cortes de gastos de R$ 250 bilhões, afirmando que tais medidas ameaçam programas sociais como o Farmácia Popular, institutos federais e o Minha Casa Minha Vida. O petista alfinetou os críticos ao questionar: “Eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país que teve coragem de cortar dos ricos, dos banqueiros, dos empresários, do sistema financeiro, dos fazendeiros e dos empresários.”

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro liderou a corrida eleitoral com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Historicamente, desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou a primeira etapa na segunda colocação conseguiu virar a disputa presidencial.

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