O tribunal da Itália agendou para o dia 29 de outubro uma nova audiência para examinar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O procedimento judicial decorre da condenação a cinco anos e três meses de reclusão imposta pelo episódio em que ela perseguiu um homem armada pelas ruas da capital paulista em 2022.
Anulação anterior e exigências médicas
A remarcação acontece após a anulação, em julho deste ano, de um veredito anterior sobre o tema, quando os magistrados europeus exigiram que o governo brasileiro enviasse esclarecimentos adicionais a respeito do quadro clínico da ex-parlamentar e da assistência médica disponível no sistema prisional do país.
A defesa relata que a política sofre de problemas como fibromialgia e episódios de desmaio, o que motivou a exigência de garantias de tratamento adequado antes de qualquer transferência. Após o envio das informações complementares pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo governo nacional, a nova data foi fixada para quatro dias após o segundo turno das eleições brasileiras.
Estratégia da defesa e contestações no Brasil
Os representantes legais da ex-deputada expressam confiança em um desfecho favorável e na recusa do pedido internacional. O advogado Eduardo Maurício argumenta que os requerimentos do Brasil falham em cumprir as exigências de direitos humanos e as garantias processuais do ordenamento jurídico italiano.
Além de atuar no processo europeu, a equipe jurídica prepara ações para tentar reverter as punições no território nacional, incluindo recursos no STF e tentativas de exclusão do nome da cliente dos cadastros da Interpol. Os defensores argumentam que os processos sofreram interferência de motivações políticas.
“as duas condenações no Brasil são abusivas e ilegais baseadas em perseguição política e parcialidade do julgador”, afirmou o advogado Eduardo Maurício.
Histórico das condenações judiciais
A pena principal que motivou o pedido atual veio do episódio de outubro de 2022, na véspera do pleito presidencial, quando Carla Zambelli perseguiu Luan Araújo no bairro Jardins após uma discussão político-partidária, resultando em condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal por nove votos a dois.
Adicionalmente, a política acumula uma pena de dez anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No entanto, em maio de 2026, a Corte Suprema de Cassação da Itália já havia negado a extradição referente a esse segundo caso, levantando questionamentos sobre a imparcialidade do STF e a atuação do ministro Alexandre de Moraes em múltiplas fases do processo.