O recém-eleito presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Thialu Guiotti (Avante), assumiu o cargo defendendo o fortalecimento estrutural do Legislativo local. Segundo o parlamentar, a ampliação de recursos e de vagas administrativas é fundamental para evitar a dependência dos vereadores em relação ao Poder Executivo, garantindo assim a independência na fiscalização.
Autonomia e estrutura legislativa
Para o chefe da Casa, a carência de assessoria jurídica, contábil e de gabinetes adequados enfraquece a atuação dos parlamentares frente às prefeituras. Ele argumenta que essa vulnerabilidade abre espaço para que vereadores acabem apoiando gestões municipais por conveniência e não por convicção política.
“O que depender de mim, eu não tenho medo de dizer de aumento de cargos, eu não tenho receio de falar de aumento de estrutura. Eu fui o único vereador, lá atrás, a subir na tribuna e dizer que sou a favor”, destacou Thialu Guiotti.
O presidente ponderou, contudo, que uma medida desse tipo não está em pauta no momento. O foco principal é assegurar condições de trabalho para que a atuação parlamentar ocorra de forma autônoma.
“Isso não está nem em pauta. Eu estou dizendo que não tenho medo de fazer o que for preciso para que o Parlamento goianiense esteja forte, que caiba ao vereador ser base ou não por convicção e não apenas por interesse”, destacou.
Prioridades administrativas e concurso público
Entre as metas para a gestão, a convocação de candidatos aprovados no concurso público realizado durante o mandato de Romário Policarpo figura como prioridade. A efetivação das nomeações dependerá de análises orçamentárias detalhadas sobre os recursos do duodécimo.
“Nós temos aí agora já a previsão para o ano que vem do chamamento dos concursados. A Câmara Municipal, através da gestão do presidente Romário Policarpo, fez um concurso público, se não estiver enganado, acho que são 60”, afirmou.
O cronograma oficial de chamamentos será definido após a verificação da disponibilidade financeira da Casa para o próximo exercício.
“De cara, já no ano que vem, nós temos o interesse de começar a chamar. Vamos nos inteirar do assunto, saber do orçamento, se tem condição de fazer e automaticamente fazer aquilo que o presidente Policarpo já fez na sua gestão aqui”, completou.
Articulação política e formação da Mesa Diretora
As negociações que culminaram na criação de uma chapa única envolveram diálogos respeitosos com o vereador Ronilson Reis, que anteriormente mantinha postulação concorrente à presidência.
“Eu nunca fui de embate, de briga. Sou de posições firmes, mas sempre respeitosas. Quando o vereador Ronilson colocou o seu nome, isso há 90 dias, sentamos e eu falei para ele: ‘Ronilson, espere de mim lealdade, espere de mim respeito ao seu projeto e eu automaticamente quero contar com isso com você’”, destacou.
Apesar da oferta para integrar a Mesa Diretora, Ronilson declinou do convite para respaldar os parlamentares que o acompanharam na disputa.
“Eu mesmo ofereci ao vereador Ronilson Reis poder fazer parte da Mesa. Ele falou: ‘Tiago, eu abro mão, até porque nós tivemos oito, nove vereadores que seguiram comigo até o fim. Seria injusto da minha parte assumir um lugar na Mesa e todos os meus outros companheiros não fazerem parte’.”
Mudanças na composição e garantia de vagas
Sobre as alterações de última hora que inseriram a vereadora Aava Santiago (PSB) na Mesa Diretora no lugar de Rose Cruvinel (União Brasil), Thialu explicou que a movimentação decorreu do retorno judicial de Aava ao mandato.
“Nós tivemos a decisão da vereadora Aava retornando à Câmara, numa decisão ontem, às 22 horas, tomando posse hoje, às 8. Então, todas essas mudanças causam também uma mexida no tabuleiro, inclusive para honrar as mulheres.”
O presidente ainda ressaltou o histórico prévio da parlamentar na mesa e indicou possibilidades futuras para Rose Cruvinel caso ocorram novas alterações no mandato de Aava.
“A vereadora Aava tomou posse, ela já fazia parte da Mesa anteriormente e também achei injusto não fazer com que a vereadora Aava permanecesse fazendo parte da Mesa Diretora. Mas, em relação a isso, é bem tranquilo. Nós temos outras composições, temos outras comissões e, às vezes, o vereador não quer fazer parte daquela, e isso é natural do processo legislativo.”
“Se acontecer de a Aava ter algum problema e não conseguir manter-se no mandato, eu colocarei a vereadora Rose.”