Global Big Day mobiliza observadores e registra 87 aves em Goiânia

A capital de Goiás contabilizou 87 espécies de aves durante a última edição do Global Big Day, mobilização internacional voltada ao estímulo da observação avifaunística e à geração de dados científicos sobre a fauna silvestre.

Ciência cidadã e aproximação com a natureza

O esforço coletivo uniu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ao projeto ÓIA Passarinhar, integrando o Programa Caminhos da Biodiversidade. A iniciativa reuniu 26 participantes, entre crianças, iniciantes e especialistas, sem exigir equipamentos avançados.

“O principal objetivo da passarinhada do IBAMA com o ÓIA Passarinhar durante o Global Big Day foi aproximar as pessoas da biodiversidade local”, afirmou Letícia Martins Rabelo, bióloga e vice-coordenadora do projeto.

A pesquisadora detalhou o funcionamento da mobilização. “O Global Big Day é um grande mutirão mundial de observação de aves, organizado pelo Laboratório de Cornell e pelo aplicativo eBird. A proposta é sair, observar quais aves aparecem, quantas são e registrar tudo no eBird”, explicou.

Ela também destacou a abrangência do projeto educativo. “Essa ação faz parte da parceria entre o IBAMA e o ÓIA Passarinhar por meio do Programa Caminhos da Biodiversidade, que une ciência cidadã, educação ambiental e conservação do Cerrado. O ÓIA já participa há anos, ensinando a população a usar o aplicativo e mostrando a riqueza de aves da nossa cidade, com núcleos em Goiânia, Anápolis, Alto Paraíso de Goiás, Terra Ronca e Brasília”, pontuou.

Diversidade de espécies avistadas na capital

Entre os animais catalogados pelos observadores, constataram-se tanto espécimes comuns do cotidiano urbano quanto aves aquáticas e migratórias.

“Na passarinhada de Goiânia, foram registradas aves mais comuns como o bem-te-vi, anu-branco, fim-fim, beija-flor-tesoura. Outras que sempre aparecem nas passarinhadas são martim-pescador-grande, ferreirinho-relógio, japacanim, além de espécies que dependem de água, como garça-branca-grande, jaçanã, freirinha, tuiuiú, marrecas e também, os migratórios como o maçarico-solitário e pernilongo”, enumerou Letícia.

A diversidade de público foi outro ponto forte do evento. “Estiveram presentes 26 pessoas, dentre crianças, adultos que nunca observaram aves, integrantes do projeto ÓIA Passarinhar e alguns filiados ao projeto, que já frequentam as passarinhadas, além de servidores do IBAMA. O evento é gratuito e não é necessário conhecimento sobre as aves ou a utilização de super equipamentos. Todos são bem vindos”, reforçou.

O valor do monitoramento de campo

Para a analista ambiental Ana Carolina Dias Oliveira, do Cetas do Ibama Goiás, a participação popular complementa o trabalho técnico de preservação.

“O Global Big Day é o maior evento de ciência cidadã do mundo focado em aves. O Global Big Day prova que conservação não se faz só com satélite e laboratório. Se faz com gente no campo, com binóculo na mão. Cada lista enviada é um dado científico que nenhum cientista conseguiria coletar sozinho, e que nos ajuda a proteger as aves do Cerrado aqui e no mundo todo”, declarou.

Conscientização ambiental e ameaças ao Cerrado

Além da coleta de dados, a atividade busca transformar a percepção dos cidadãos em relação ao meio ambiente. “Só conservamos aquilo que conhecemos. Observar aves é mais do que saber o nome delas. É reparar o que ela come, onde ela vive, como ela canta e como se comporta. Quando a gente percebe isso, se sente parte da natureza e entende que divide a cidade e o Cerrado com muitas outras vidas. Esse olhar mais atento é o que cria a consciência de que todos os seres são importantes”, pontuou Letícia Martins Rabelo.

Por outro lado, o cenário para a avifauna local exige cautela devido à degradação ambiental. “O Cerrado tem quase metade das aves do Brasil, mas é o bioma que mais desmatamos. O cenário é preocupante. O maior desafio é a perda de habitat pela expansão agropecuária e pelos incêndios descontrolados, pois isso impacta diretamente as aves, especialmente as espécies que dependem de áreas grandes e conservadas para se alimentar e reproduzir. Sem Cerrado em pé essas espécies não se sustentam na natureza”, alertou Ana Carolina.

O papel das instituições de proteção à fauna

Para mitigar os impactos sobre a vida silvestre, diferentes estruturas atuam na recuperação e no manejo de animais. “Todos objetivam a conservação, mas com estratégias diferentes. Os criadores conservacionistas, hoje denominados criadores científicos, podem ser para fins de pesquisa ou para a conservação”, destacou Letícia.

A especialista concluiu detalhando as demais frentes de apoio. “Os centros de triagem possibilitam uma nova chance a animais silvestres que necessitam de intervenção humana para sua sobrevivência, uma vez que eles dão entrada vítimas do tráfico de animais silvestres, desmatamento e da ocupação urbana, por exemplo. E os zoológicos já existem baseado em um tripé de educação ambiental, conservação e extensão, sendo um dos empreendimentos mais conhecidos pela sociedade”.

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