O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o país está disposto a trabalhar com o Brasil para que as relações avancem, ao responder à questão que citava a liderança de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência. A pesquisa Datafolha mais recente mostra o senador com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula.
Posição oficial de Pequim e o histórico diplomático
Questionada sobre um possível reflexo do alinhamento do candidato com Donald Trump e lembrando os atritos da gestão de Jair Bolsonaro, a chancelaria respondeu que “a China está disposta a trabalhar com o lado brasileiro para que as relações avancem de forma estável e duradoura”. O governo chinês reforçou que os laços bilaterais mantêm boa dinâmica independentemente de mudanças no cenário internacional e que a amizade entre as nações é um consenso consolidado.
Desde 2012, os dois países mantêm o status de parceiros estratégicos globais. Contudo, o período sob a presidência de Jair Bolsonaro foi marcado por tensões políticas, incluindo o pedido para a troca de embaixadores após críticas públicas envolvendo membros da família presidencial e autoridades chinesas.
Pragmatismo na campanha e reações do setor produtivo
Durante a campanha, Flávio tem sinalizado uma postura pragmática caso seja eleito, declarando que o Brasil manterá laços com diferentes nações e rejeitando escolhas baseadas puramente em ideologia. “Por questão ideológica, o atual presidente acaba querendo escolher um lado. Eu não vou escolher lado, meu lado vai ser o do povo brasileiro, independentemente de sendo China, Israel, Oriente Médio, Argentina, Índia, não importa”, afirmou o candidato em evento recente.
Em declarações anteriores, o senador criticou duramente a atual gestão em relação à política externa com o gigante asiático. Em audiência nos Estados Unidos e em entrevistas internacionais, ele acusou o atual governo de priorizar a ideologia em detrimento dos interesses nacionais.
“Ele [Lula] coloca a ideologia acima dos interesses do povo brasileiro, é isso que ele está fazendo. A todo momento lambe as botas da China e taca pedra nos EUA”, declarou.
Setores industriais com forte comércio exterior apontam que o candidato tem evitado reuniões diretas para discutir o tema, o que analistas interpretam como cautela para não fechar portas comerciais com seu principal parceiro internacional. Especialistas em relações internacionais indicam que Pequim avalia os riscos políticos, mas mantém o foco na preservação dos acordos econômicos, adotando uma postura de respeito à soberania e de não interferência nos processos eleitorais internos do Brasil.