Em entrevista concedida neste domingo (11) à rede ABC News, o cofundador da Microsoft, Bill Gates, fez um alerta severo sobre os perigos da inteligência artificial sem controle adequado. Segundo o empresário, a ausência de regras na área abre caminho para uma escalada expressiva de ataques cibernéticos já no próximo ano.
O perigo imediato dos sistemas sem proteção
Durante a conversa, o magnata da tecnologia destacou que a ameaça de uma IA ganhar autonomia total e “sair do controle” ainda vai demorar anos para se concretizar. Para ele, o foco de preocupação urgente deve ser o uso intencional da tecnologia por agentes maliciosos que burlam as travas de segurança existentes.
“O perigo real agora não é a IA sair do controle. Precisamos trabalhar nisso, mas isso ainda levará anos em termos do grande impacto que poderia causar”, afirmou.
De acordo com Gates, o cenário atual permite que usuários com intenções criminosas eliminem todas as salvaguardas dos modelos mais modernos de inteligência artificial.
“Trata-se, na verdade, de pessoas mal-intencionadas usando IA —especialmente sistemas de IA onde é possível remover todas as salvaguardas”, disse ele, acrescentando que são necessárias mais restrições para impedir que agentes maliciosos utilizem a IA para bioterrorismo e ataques cibernéticos.
“A frente onde provavelmente veremos isso de forma mais dramática no próximo ano é a dos ataques cibernéticos”, complementou à emissora americana.
Críticas à autorregulação e governança
O empresário também refutou a postura defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a própria indústria tecnológica seria capaz de se regular sozinha com segurança.
“A ideia de que, para a tecnologia mais perigosa que os humanos já inventaram, essa seja a palavra final —que apenas as próprias empresas sejam o único mecanismo de controle que a sociedade possui… fica claro que não estamos fazendo o suficiente”, declarou.
Anteriormente, em publicação divulgada em agosto, Gates já havia apontado que a humanidade segue despreparada para lidar com as profundas transformações provocadas pela nova tecnologia, somando-se a outros líderes do setor que cobram intervenções governamentais mais rígidas.
“Mas, no momento, é permitido remover todas essas salvaguardas. Portanto, quando se tem pessoas mal-intencionadas, ausência de proteções e os modelos mais recentes, é aí que —ao longo do próximo ano, principalmente na área cibernética— teremos muitas surpresas negativas”, concluiu o bilionário.