O estado de Goiás registrou uma retração de 18,9% na área de vegetação nativa atingida por alertas de desmatamento durante os primeiros oito meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento, conduzido com base nas estatísticas da plataforma MapBiomas Alerta, contabilizou 5.928 hectares devastados entre janeiro e agosto, ante os 7.311 hectares verificados no mesmo intervalo de 2025, o que significa uma retração de 1.383 hectares.
Histórico de quedas consecutivas na supressão de vegetação
Esses números dão seguimento a uma linha descendente na supressão da flora local que vem sendo documentada nos últimos anos. Conforme o Relatório Anual do Desmatamento de 2025, lançado pelo MapBiomas em maio, o território goiano perdeu 10,9 mil hectares de vegetação no decorrer do ano passado, marcando uma diminuição de 44% sobre o ano anterior. Frente aos registros de 2023, a retração acumulada atingiu a marca expressiva de 84,1%.
Estratégias de fiscalização e diálogo com o setor produtivo
Para a secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, os índices positivos derivam da integração entre o controle estatal, o uso de novas tecnologias e a conversa aberta com o agronegócio. “É claro que o comando e controle é importante. Prova disso é que fizemos concurso recentemente, reforçamos as equipes de fiscalização e investimos em tecnologia de monitoramento remoto. Mas o segredo do nosso sucesso está na construção de pontes com o setor produtivo, a partir da ideia de que só conseguiremos proteger o Cerrado se todos estiverem envolvidos com a causa”, afirmou a secretária em manifestação anterior sobre a política ambiental do estado.
Ações práticas do governo estadual
Dentre as medidas adotadas pela administração pública estão a intensificação do acompanhamento via satélite, a contratação de mais agentes para a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e o emprego de aparatos tecnológicos no rastreio de supressões vegetais. Além disso, o estado formalizou em setembro de 2023 um acordo com o setor industrial e o agronegócio com a meta de extinguir a derrubada ilegal de matas até 2030.
O estudo do MapBiomas indicou ainda que o estado figura entre os líderes na aplicação de sanções e fiscalizações sobre zonas afetadas, atingindo um índice de sobreposição de 65,2% em 2025. É importante ressaltar que os dados englobam tanto infrações quanto supressões legais licenciadas. Apesar da baixa de 18,9% apurada até agosto, os dados de 2026 são parciais e podem passar por revisões futuras até a divulgação oficial do relatório anual consolidado.