A Força Aérea Brasileira (FAB) determinou o envio de dois aviões para reforçar o trabalho de contenção aos incêndios florestais que atingem as regiões de Manaus, Itacoatiara e Parintins, no estado do Amazonas. A previsão indica que as aeronaves desembarquem na Base Aérea de Manaus no final da tarde deste domingo (11), dando início às operações na segunda-feira (12).
Logística e histórico das aeronaves
De acordo com a corporação, os dois aparelhos do modelo KC-390 Millenium pertencem aos esquadrões Zeus, localizados na Base Aérea de Anápolis (GO), e Gordo, da Base Aérea do Galeão (RJ). Enquanto um dos transportes carrega mantimentos e instrumentos de suporte, o outro vai atuar diretamente na contenção das chamas. Historicamente, essa mesma frota já prestou assistência humanitária no Líbano, transportou insumos contra a Covid-19 e realizou a repatriação de brasileiros e estrangeiros fugitivos da guerra na Ucrânia.
Tecnologia de combate e apoio de São Paulo
Para apagar o fogo, os militares utilizarão o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (Maffs). Munido de um tubo que expele água pela abertura traseira esquerda da aeronave, o dispositivo consegue despejar até 3.000 galões, o equivalente a cerca de 12 mil litros, em zonas atingidas, podendo operar com ou sem substâncias retardantes. Segundo a FAB, o mecanismo assegura maior precisão e eficiência operacional, sendo abastecido por um reservatório terrestre com capacidade para 22 mil litros.
Como reforço, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo integrará a força-tarefa no território amazonense com 25 bombeiros militares e cinco profissionais da Defesa Civil.
Impacto ambiental e qualidade do ar
Entre 1º de junho e 9 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas registrou 3.462 chamados de incêndios urbanos e em matas. A instituição relata ter combatido 20.875 focos no total, sendo 4.296 na capital e 16.579 no interior. Como consequência, Manaus amanheceu coberta por fumaça neste domingo (11). O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), classificou a qualidade do ar como péssima em vários pontos de monitoramento, registrando 216,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado em uma das estações — patamar muito acima do limite considerado bom, que é de até 25 µg/m³.
Emergência e repasse de recursos
Diante do cenário crítico, o Governo do Amazonas oficializou no sábado (10) a situação de emergência em 36 municípios. A decisão recebeu o reconhecimento do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que destacou a medida como indispensável para a liberação de verbas federais destinadas ao enfrentamento da crise. A pasta informou que mobilizou outras seis aeronaves, entre quatro aviões e dois helicópteros, além de 290 brigadistas federais.
O ministério também pontuou que disponibilizou R$ 45 milhões desde 2024 para o reaparelhamento do Corpo de Bombeiros amazonense, dos quais R$ 34,7 milhões foram sacados pelo estado. “Ainda há R$ 10 milhões prontos para serem usados”, afirmou em nota. Desde 2023, o governo federal repassou R$ 372.065.406,32 ao estado para ações de socorro, assistência humanitária, reconstrução e retomada de serviços essenciais.
Ações do governo estadual
A gestão estadual informou que expandiu a atuação dos bombeiros no interior, elevando de 11 para 25 o número de municípios com bases instaladas entre 2025 e 2026. “A corporação também aumentou seu efetivo de 692 militares, em 2019, para 1.651 em 2026, além de incorporar 20 novas viaturas e 453 equipamentos multimissão. As ações contam ainda com a contratação de 153 brigadistas florestais e com a atuação integrada dos órgãos estaduais e municipais”, informa.
Documentos enviados entre abril e julho de 2026 mostram que o governo local protocolou 33 ofícios junto a ministérios federais para relatar o panorama climático e pedir suporte na prevenção, monitoramento e combate às chamas. “As solicitações fazem parte de um trabalho de cooperação entre os governos estadual e federal, considerando as particularidades geográficas e logísticas do Amazonas e a necessidade de integração de esforços para reduzir os impactos dos eventos climáticos, especialmente nos municípios mais afetados”, argumenta.