O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou neste domingo (11) uma notícia-crime na Justiça Eleitoral contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A representação acusa o dirigente de supostamente favorecer o PT durante o pleito.
Entrevista no primeiro turno motivou a ação judicial
A ofensiva jurídica foi elaborada após uma entrevista concedida por Rodrigues aos jornalistas no dia 4 de outubro, data que marcou a realização do primeiro turno. Na ocasião, o chefe da corporação pública comentou sobre a existência de uma apuração preliminar relacionada a uma eventual interferência internacional no processo eleitoral brasileiro.
Argumentação da defesa e repercussão na imprensa
Os defensores do parlamentar sustentam que o pronunciamento gerou manchetes na mídia sobre o tema e alegam uma articulação prévia de apoiadores do atual governo para associar o caso a um apoio externo direcionado a correntes políticas de direita.
“Em uma eleição presidencial polarizada entre o candidato do Partido dos Trabalhadores [o presidente Lula] e o candidato do Partido Liberal [Flávio Bolsonaro], hoje adversários no segundo turno, toda carga negativa lançada sobre um deles reverte, por definição, em favor do outro”, afirmam os advogados.
Arquivamento posterior e base legal da denúncia
O documento jurídico também aponta que o requerimento de investigação sobre a suposta interferência estrangeira acabou sendo encerrado posteriormente. “Se não havia o que apurar, restava apenas o que divulgar. E a divulgação, no dia do primeiro turno, só aproveitava a um partido: o Partido dos Trabalhadores”, dizem os advogados do bolsonarista.
De acordo com a peça jurídica, a conduta de Andrei Rodrigues pode configurar infração a um dispositivo do Código Eleitoral que proíbe o emprego de recursos ou aparatos estatais para favorecer agremiações ou entidades com viés político. A legislação estabelece pena de até seis meses de detenção, além de aplicação de multa para os eventuais infratores.
Vale lembrar que, na última quinta-feira (7), a própria instituição policial comunicou o encerramento da demanda apresentada pela Advocacia-Geral da União para apurar suspeitas de interferência externa nas eleições de 2026. Embora o material tenha sido encaminhado para uma análise inicial do setor de inteligência, os investigadores concluíram que não havia indícios suficientes para a abertura formal de um inquérito.