Goiás lidera mercado de terras raras com projetos bilionários

O estado de Goiás consolidou-se como um dos principais polos da corrida internacional pela exploração de terras raras, minerais indispensáveis para a fabricação de veículos elétricos, sistemas de energia renovável e tecnologias voltadas à defesa. Atualmente, o território goiano abriga a operação comercial mais avançada do Brasil, situada no município de Minaçu, além de iniciativas que preveem aportes bilionários em pesquisa, extração e beneficiamento desses elementos.

Um panorama geral do setor aponta a presença de ao menos 18 companhias estrangeiras com processos voltados à pesquisa ou exploração mineral no país, somando mais de US$ 3,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 17,5 bilhões entre valores já aplicados e projeções futuras. O avanço ocorre enquanto grupos globais buscam diversificar fontes de suprimento e diminuir a dependência da China, que detém grande parte da cadeia mundial de processamento.

Avanço em Minaçu e Nova Roma

No cenário goiano, destacam-se a mina operada pela Serra Verde em Minaçu, no norte do estado, e a iniciativa da canadense Aclara em Nova Roma, no nordeste goiano, além de uma unidade experimental mantida pela mesma empresa em Aparecida de Goiânia. A Serra Verde obteve licença ambiental em 2023 e iniciou a produção comercial no ano seguinte, focando em elementos aplicados em ímãs de alto desempenho para motores elétricos e turbinas eólicas.

A operação em Minaçu recebeu mais de US$ 1 bilhão após ser adquirida pela norte-americana USA Rare Earth. A empresa explicou que o trabalho não se resume à extração bruta, contando com uma estrutura integrada que gera Carbonato Misto de Terras Raras, beneficiado parcialmente no país.

Já a Aclara projeta aplicar US$ 781 milhões em Nova Roma. O modelo de negócios da companhia prevê etapas iniciais no Brasil e processos de separação e fabricação de ligas em instalações nos Estados Unidos.

Disputa internacional e nova política nacional

O mercado brasileiro de minerais críticos tem atraído capital estrangeiro de forma expressiva. Empresas da Austrália lideram os aportes, seguidas por companhias do Canadá e dos Estados Unidos. Recentemente, a australiana Lynas comprou a Meteoric Resources por cerca de R$ 3,5 bilhões, focando em um projeto no sul de Minas Gerais.

Para impulsionar a industrialização local, o governo federal sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A medida prevê um fundo garantidor de até R$ 2 bilhões e créditos fiscais anuais de até R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034 para estimular o refino e a transformação dos insumos em território nacional, reduzindo a dependência de etapas industriais realizadas no exterior.

Apesar do volume de recursos anunciados, parte dos empreendimentos ainda depende de licenciamento, estudos de viabilidade e financiamento. O principal desafio para Goiás e para o Brasil continuará sendo transformar a riqueza mineral bruta em desenvolvimento tecnológico e industrial de alto valor agregado.

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