O governo de Goiás, em conjunto com o Sebrae e o setor produtivo, trabalha na consolidação de uma nova política florestal para o estado. A iniciativa surge como uma resposta estratégica para ampliar a oferta de madeira, atrair indústrias e impedir que o avanço da demanda por biomassa comprometa o abastecimento das agroindústrias locais nos próximos anos.
Desafio da silvicultura e queda na área plantada
Dados da Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do IBGE, revelam que o território goiano contava com 106,4 mil hectares de florestas plantadas em 2025, contra 123,2 mil hectares no ano anterior. O recuo de 13,6% representou a maior retração percentual entre todas as unidades da Federação, enquanto o cenário nacional registrou alta de 4,8%, alcançando 10,4 milhões de hectares.
Especialistas e produtores apontam que o contraste entre a diminuição dos plantios e o salto no consumo é um obstáculo crítico. Fatores como custos elevados de implantação, gargalos logísticos, questões climáticas e a necessidade de crédito de longo prazo dificultam a retomada rápida da atividade no campo.
Pressão do etanol de milho e valorização da madeira
A expansão das usinas de etanol de milho, somada à necessidade de biomassa para secagem de grãos em frigoríficos e laticínios, elevou a pressão sobre o mercado de madeira. Como o eucalipto leva de cinco a sete anos para atingir o ponto de corte, o ciclo longo exige planejamento antecipado.
Para Cristiano Fernandes Franco, engenheiro agrônomo e presidente da Associação Goiana de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Goflor) e proprietário da Vale Vinho Florestal, Goiás precisa agir para evitar um desequilíbrio ainda maior entre oferta e demanda.
“Hoje é um desafio muito grande para nós atender as indústrias. Goiás é um estado agroindustrial, e a agroindústria precisa de madeira”, afirma.
O dirigente ressalta que o setor tenta viabilizar novos incentivos:
“O que nós estamos trabalhando junto do governo e das indústrias é fazer esse incentivo, um fomento para o produtor do lado da indústria”, diz Cristiano Fernandes Franco.
Plano Diretor Florestal e estratégias para o futuro
Para organizar essa expansão, o Plano Diretor Florestal mapeia áreas com potencial de cultivo e busca aproximar produtores e indústrias. Douglas Paranahyba, economista e coordenador do Sebrae, destaca que a elaboração do estudo partiu de uma constatação regional:
“Os atores do Estado de Goiás, vendo o crescimento do setor de florestas e madeira e o movimento global de atração de investimentos para outras regiões do País, perceberam que Goiás ficou de fora desse processo”, explica.
O economista reforça o alcance do diagnóstico:
“Esse trabalho fez um diagnóstico do setor florestal do próprio Estado de Goiás e nos ajudou a entender como nos prepararmos para potencializar ganhos ainda maiores para os pequenos negócios”, afirma.
Com a entrega do plano ao governo estadual, a expectativa é que medidas ligadas ao licenciamento, regras fiscais e fomento de polos produtivos avancem de forma estruturada, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para toda a cadeia no território goiano.