Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula (PT) reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), e dirigiu sua fala aos jovens. O ato principal foi convocado por estudantes, fandoms, movimentos sociais e partidos de esquerda sob o nome de Marcha pela Democracia, buscando reverter o desânimo entre apoiadores após seu oponente terminar o primeiro turno à frente.
Mobilização nas ruas e atos pelo país
Além da capital paulista, onde a concentração ocupou 12 quarteirões ao longo de 2,8 km, houve manifestações em 76 cidades brasileiras, englobando caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens organizadas pela plataforma Comitê Popular de Luta. Não houve estimativa oficial de público em São Paulo, pois o Monitor do Debate Político no Meio Digital e a More in Common Brasil informaram que a campanha não autorizou o sobrevoo com drone, enquanto a Polícia Militar não respondeu sobre levantamentos.
O impacto do evento na capital foi sentido no transporte público, com o fechamento temporário da estação Trianon-Masp do Metrô devido à alta concentração de pessoas, além de registros de vandalismo com pichações e estruturas quebradas em acessos de ao menos duas estações.
Discurso voltado à juventude e falas do presidente
Durante o evento, que contou com a presença de governadores nordestinos eleitos e reeleitos, o chefe do Executivo reconheceu a dificuldade de conexão com o eleitorado jovem e defendeu maior participação nas decisões políticas.
“A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer as coisas de cima para baixo”, afirmou.
O presidente seguiu: “Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto. Vocês têm que assumir a responsabilidade enquanto são jovens, enquanto tem disponibilidade de ir à luta. Esse país não pode perder a democracia, por pior que ela seja”.
Estratégia do adversário e reunião com aliados
No mesmo dia, Flávio Bolsonaro (PL) reuniu aliados em um almoço no centro de São Paulo, contando com a presença do governador Tarcísio de Freitas, do prefeito Ricardo Nunes, prefeitos da região metropolitana, deputados e senadores. No encontro, Tarcísio e Nunes confirmaram um ato pró-Flávio na avenida Paulista para o domingo seguinte (18).
O candidato do PL cobrou agilidade da Justiça Eleitoral contra a disseminação de mentiras e negou propostas de extinção de programas sociais. O candidato declarou:
“Eu espero de verdade que a Justiça Eleitoral continue, seja mais ágil inclusive. Porque os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa. E como foi dito, algumas pessoas acreditam nisso: ‘O Flávio vai acabar com a luz do sol’, e tem gente que acredita”, afirmou.
“E hoje o principal instrumento que nós temos é a comparação. De um lado, o governo mentiroso. Gente, é uma coisa que causa uma revolta, a quantidade de mentiras que eles estão inventando. E é de propósito, a estratégia de campanha é mentira”, disse.
Reviravoltas jurídicas no Tribunal Superior Eleitoral
A disputa sobre desidratação de campanhas chegou ao TSE no mesmo domingo. A pedido da campanha de Flávio, o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, ordenou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu a ferramenta por considerar as provas insuficientes. Lula criticou a primeira decisão e a campanha adversária protestou contra a reversão.
Diante do cenário eleitoral e das pesquisas apontando Flávio com 52% dos votos válidos ante 48% do atual presidente, o candidato do PL pediu foco aos apoiadores para evitar o clima de “já ganhou”, alinhando o discurso à necessidade de engajamento da militância nas duas semanas finais.