Integrantes do Tribunal Superior Eleitoral identificaram sinais de parcialidade na condução do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, em relação à campanha de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Entre os magistrados, decisões recentes geraram desconforto e forte repercussão interna.
Decisões unilaterais e conflitos internos
O mal-estar na corte eleitoral se intensificou após medidas tomadas pelo presidente do órgão, que incluiu a proibição de levantamentos estatísticos e a derrubada de canais de comunicação digital. O episódio que mais gerou atrito foi a suspensão do canal de mensagens “Exército do Lula” no aplicativo WhatsApp.
De acordo com os magistrados ouvidos, a medida “contrariou”atropelou” o fluxo de um processo que já estava sob a responsabilidade do corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. O corregedor havia concedido um prazo oficial para que as chapas apresentassem suas defesas antes de qualquer sanção.
Reversão rápida e censura a pesquisas
O desgaste institucional aumentou quando o próprio corregedor-geral determinou a volta do canal de mensagens poucas horas após o ato do presidente da corte.
No mês de junho, o comando do tribunal já havia provocado polêmica ao barrar a veiculação de um levantamento da Atlas/Bloomberg. O estudo indicava um recuo nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso conhecido como “Dark Horse”, que expôs tratativas financeiras do candidato com um banqueiro para a produção de uma obra cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.
Interrupção de plenários virtuais
Magistrados da ala opositora ao atual comando levantaram ao menos quatro situações em que o chefe do tribunal interrompeu sessões virtuais por meio de pedidos de destaque. As paralisações ocorreram em momentos em que o colegiado já registrava maioria de votos favoráveis ao atual presidente Lula da Silva.
Em conversas com aliados, Kassio Nunes Marques rejeitou qualquer acusação de favorecimento eleitoral e afirmou que as pressões “são tentativas de intimidação”. O magistrado também declarou que suas deliberações “seguem padrão decisório” e que interrompe os julgamentos sempre que identifica violações à jurisprudência da instituição.