O crescimento acelerado da frota de veículos eletrificados nas ruas tem trazido à tona um efeito colateral inesperado para alguns passageiros: o enjoo de movimento, conhecido cientificamente como cinetose. Enquanto motoristas costumam relatar uma experiência de condução silenciosa e satisfatória, relatos de náuseas, tonturas e episódios de vômito durante viagens em carros elétricos tornam-se cada vez mais comuns.
O que dizem os especialistas sobre a cinetose
Pesquisadores da área de biomecânica e neurologia apontam que a sensação incômoda está ligada a uma discrepância nos sinais sensoriais enviados ao cérebro. O corpo humano depende da visão, do sistema de equilíbrio localizado no ouvido interno e das fibras musculares para compreender o deslocamento. Quando esses estímulos entram em conflito, o mal-estar surge.
No caso dos veículos movidos a bateria, a ausência do ronco tradicional e das vibrações típicas dos motores a combustão elimina pistas sonoras importantes que o cérebro utiliza para antecipar a aceleração. Além disso, a capacidade de ganhar velocidade com muito mais rapidez e a tecnologia de frenagem regenerativa intensificam o problema. Esse sistema desacelera o veículo ao tirar o pé do acelerador para recuperar energia, o que pode gerar solavancos se não for operado com extrema suavidade.
Diferentes perspectivas e o papel das montadoras
Apesar dos relatos frequentes ouvidos por neurologistas, acadêmicos ressaltam que as investigações sobre o tema ainda estão em estágio inicial. Associações do setor automotivo argumentam que o enjoo pode estar mais relacionado ao estilo de condução do que à tecnologia em si, destacando que muitos motoristas e passageiros jamais experimentaram esse tipo de sintoma.
A fabricante chinesa XPeng reconheceu publicamente a questão e afirmou que o fenômeno decorre de características do próprio projeto dos carros. Para contornar o problema, especialistas em design de mobilidade sugerem que as montadoras adotem softwares para suavizar acelerações, além de sistemas que simulem vibrações sutis e ofereçam ajustes na frenagem regenerativa.
Dicas para evitar o mal-estar em viagens
Para quem sofre com o problema, passageiros podem adotar medidas práticas para amenizar os sintomas:
- Olhar fixamente para a estrada pela janela dianteira e evitar o uso de celulares.
- Sentar-se no banco do passageiro da frente ou no meio do banco traseiro para manter o campo de visão.
- Manter a cabeça firme contra o encosto e abrir os vidros para ventilação.
- Garantir boa hidratação, descanso adequado e alimentação leve antes de pegar a estrada.
Com o tempo, a exposição contínua pode ajudar o organismo a se adaptar, reduzindo a intensidade dos episódios de náusea à medida que os passageiros se acostumam à dinâmica dos veículos elétricos.