Goiânia registra alta de 45% na captura de barbeiros em 2026

O monitoramento de vetores em Goiânia apontou um crescimento expressivo na localização de barbeiros nos primeiros nove meses de 2026. Entre janeiro e setembro, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) contabilizou 29 espécimes na capital, índice que supera em 45% o total de 20 insetos recolhidos durante todo o ano de 2025. O vetor é conhecido por transmitir o protozoário causador da doença de Chagas.

O período recente também foi marcado pelo primeiro registro oficial no município de um exemplar contaminado de forma natural pelo Trypanosoma cruzi. O diagnóstico foi validado em abril pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO). As autoridades sanitárias ressaltam que o fato de o vetor abrigar o parasita não representa confirmação de contágio entre os moradores da região.

Degradação ambiental e avanço urbano explicam aproximação

O deslocamento dos barbeiros em direção aos ambientes residenciais costuma estar associado a desequilíbrios ecológicos. Conforme aponta o médico veterinário da Vigilância em Zoonoses Bruno Sérgio, a supressão florestal impacta diretamente as fontes de alimento e os esconderijos habituais da espécie.

“A expansão urbana pode provocar desmatamento, derrubar árvores que servem de abrigo e reduzir as fontes de alimentação desses insetos. As alterações climáticas também podem influenciar a dispersão e a distribuição desses vetores”, explica.

Orientações para captura segura e prevenção doméstica

A colaboração da população é indispensável para o controle sanitário. A principal recomendação ao avistar um inseto suspeito é nunca tentar esmagá-lo nem pegá-lo diretamente com as mãos desprotegidas.

O morador deve cobrir as mãos com luvas ou sacolas plásticas, recolher o animal com cuidado e guardá-lo em um pote fechado com tampa. Em seguida, a Diretoria de Vigilância em Zoonoses deve ser informada pelo telefone (62) 99152-2545. Técnicos são enviados para recolher a amostra, mapear o entorno em busca de novos focos e, se o espécime estiver preservado, submetê-lo a testes laboratoriais.

Entre as estratégias para manter o vetor longe das casas, recomenda-se:

Eliminar acúmulos de madeira, entulho e folhas secas nos quintais; distanciar currais e galinheiros das paredes das habitações; vedar vãos em portas e aplicar telas protetoras nas janelas. Aplicações de veneno e inseticidas devem ser efetuadas estritamente com aprovação e supervisão técnica do município.

Como ocorre a transmissão e o desafio do diagnóstico

A contaminação humana ocorre habitualmente no momento em que o barbeiro defeca próximo à picada e a pessoa coça a região, empurrando as fezes infectadas para o ferimento ou para mucosas, como boca e olhos. Alimentos contaminados, transmissão congênita de mãe para filho e, mais raramente, transfusões sanguíneas também figuram como vias de propagação.

Embora manifestações como febre prolongada, cansaço corporal, dor de cabeça e edemas possam surgir na etapa inicial, muitos casos permanecem assintomáticos por décadas até o desenvolvimento de disfunções crônicas cardíacas ou gastrointestinais. Por demandar exames laboratoriais cruzados, a identificação tardia dificulta precisar onde o paciente foi picado, como detalha a gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Transmissíveis da SMS, Jennifer Caetano.

“Temos, por exemplo, pessoas que viveram em áreas rurais ou regiões onde havia maior risco de transmissão e que hoje residem em Goiânia. Por isso, o fato de o caso ser diagnosticado e notificado na capital não significa necessariamente que a infecção tenha ocorrido aqui”, afirma.

Moradores que suspeitarem de exposição ao vetor ou que apresentem dúvidas clínicas podem entrar em contato com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica por meio do número (62) 3030-2534.

Acompanhamento de gestantes e bebês na capital

O protocolo de saúde de Goiânia inclui a testagem rotineira durante as consultas de pré-natal para proteger os recém-nascidos. Quando há risco de transmissão vertical, os bebês são submetidos a exames parasitológicos logo após o parto e acompanhados com monitoramento sorológico até completarem nove meses de vida.

A capital não registra nenhum episódio de transmissão vertical da doença de Chagas desde 2012. Devido a esses índices de controle, o Ministério da Saúde conferiu ao município a certificação com o selo bronze pela prevenção da infecção da mãe para a criança.

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