Um ataque cibernético direcionado a sistemas de refrigeração causou estragos em centenas de supermercados na França, após criminosos aumentarem a temperatura de geladeiras e câmaras frias para até 50°C. O crime ocorreu durante a madrugada entre domingo, 11, e segunda-feira, 12, resultando na perda de itens perecíveis e em princípios de incêndio em vários locais, o que gerou forte preocupação sobre a segurança de maquinários industriais ligados à rede.
Impacto nas grandes redes varejistas
A gravidade da ocorrência fez o governo francês acionar a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI) para conduzir as apurações. A Procuradoria de Paris tratou a ocorrência como uma invasão de grande proporção, destacando que os prejuízos englobam mercadorias inutilizadas e chamas nas unidades. O Carrefour relatou que 80 lojas sofreram impactos, enquanto a Monoprix apontou problemas em cerca de 5% de seus pontos de venda. Já a Les Mousquetaires, dona do Intermarché, confirmou que aproximadamente 150 estabelecimentos tiveram os mecanismos de refrigeração danificados.
Conforme relatos da corporação, os aparelhos de resfriamento de certas filiais ficaram aquecidos a 50°C por cerca de seis horas. Para afastar qualquer perigo à saúde da população, os mantimentos afetados foram descartados. O montante financeiro total dos prejuízos ainda não foi contabilizado pelas companhias.
O presidente-executivo da Coopérative U, Dominique Schelcher, também confirmou que a rede foi afetada e classificou o episódio como inédito e grave. “Atacar equipamentos essenciais para a conservação de produtos frescos e para o abastecimento alimentar do povo francês é de extrema gravidade e não tem precedentes”, afirmou em publicação na rede social X.
Vulnerabilidades em controladores digitais
As análises iniciais apontam falhas em plataformas de gerenciamento de refrigeração adotadas pelo setor. Esses instrumentos permitem a administração à distância de freezers e câmaras por meio de painéis conectados à internet, o que otimiza o suporte técnico, mas cria brechas para invasões na ausência de barreiras adequadas.
Uma das marcas associadas aos aparelhos alvos é a dinamarquesa Danfoss, que produz controladores para essa finalidade. A corporação declarou estar ciente de ocorrências na França atingindo um grupo restrito de máquinas e pontuou que os sistemas comprometidos rodavam versões ultrapassadas de firmware, o software operacional dos componentes. A fabricante aconselha os compradores a manterem os dispositivos atualizados e a substituírem tecnologias defasadas.
Alertas anteriores sobre falhas
O temor em torno dessas fragilidades não é recente. Em agosto de 2025, o grupo de estudos em segurança digital Team82, ligado à Claroty, publicou um relatório sobre defeitos em controladores Danfoss AK-SM 800A. A pesquisa indicava que as brechas poderiam possibilitar que invasores burlassem travas de segurança e rodassem códigos maliciosos nos hardwares.
Apesar disso, ainda não há confirmação se tais falhas foram de fato exploradas na ação criminosa francesa. Em 13 de outubro, novos dados também revelaram riscos em refrigerações produzidas pela norte-americana Copeland e sua subsidiária Dixell, ampliando o sinal de alerta no varejo.
Desdobramentos na Holanda e debate de segurança
Em território holandês, a Ahold Delhaize, controladora da Albert Heijn, comunicou enfrentar um problema tecnológico e suspendeu temporariamente serviços digitais como medida preventiva. A pane atingiu aplicativos e entregas, e lojas virtuais do grupo foram tiradas do ar, embora os mercados físicos tenham continuado abertos. Até 13 de outubro, não havia confirmação de ligação entre esse episódio e o ataque na França.
Os episódios reacenderam as discussões sobre a proteção de infraestruturas críticas. A Federação do Comércio e da Distribuição da França exigiu transparência e assegurou que as empresas buscam resguardar os consumidores e normalizar o funcionamento das lojas afetadas.