A presidente do Peru, Keiko Fujimori, apresentou uma série de diretrizes disciplinares voltadas para as escolas públicas do país, que incluem a proibição de cabelos compridos para meninos, uso de tintura nos fios, maquiagem, unhas pintadas e porte de telefones celulares. As normas foram reveladas na segunda-feira, 12, durante um evento realizado em uma instituição de ensino em Chaclacayo, município situado nas imediações da capital, Lima, cumprindo uma promessa de linha-dura feita durante o período eleitoral.
Impacto na rede pública e consulta pública
As novas determinações devem abranger aproximadamente 6,7 milhões de estudantes da rede pública, montante que representa 72% de todo o alunado da educação básica no território peruano. Em contrapartida, os cerca de 2,6 milhões de matriculados nas instituições privadas seguirão sob a responsabilidade de suas próprias normativas internas. Para formalizar o processo, o Ministério da Educação emitiu uma resolução que estabelece um prazo de 15 dias para que a população envie contribuições e sugestões sobre o teor das exigências, o que significa que alguns pontos ainda aguardam regulamentação oficial.
Retomada de notas de conduta e punições
Entre as principais alterações está o retorno das tradicionais notas de conduta, ferramenta que serve para pontuar a pontualidade e o comportamento dos alunos e que havia sido extinta no ano de 2019. Além disso, a gestão governamental planeja reintroduzir a expulsão para situações de maior gravidade, a exemplo de agressões físicas e do uso inadequado de celulares. O ministro da Educação, José Antonio Chang, explicou que os jovens desligados de forma definitiva poderão dar continuidade aos estudos por meio de um formato híbrido, mesclando aulas virtuais e atendimento presencial, além de sinalizar futuras normativas sobre o comprimento das saias dos uniformes.
Repercussão política e oposição
A iniciativa gerou forte oposição de parlamentares contrários ao foco governamental na estética dos alunos. A senadora Ruth Luque questionou a prioridade dada ao visual e criticou a associação entre rigidez pedagógica e imposições estéticas. As diretrizes peruanas guardam semelhanças com o modelo implementado em El Salvador pela administração de Nayib Bukele, cuja política de segurança e controle serve de inspiração para setores da direita latino-americana e está na agenda de referências políticas da presidente peruana.
As declarações oficiais reforçam a tese do governo sobre a necessidade de resgatar a autoridade dentro dos estabelecimentos de ensino, enquanto a concretização total das medidas permanece atrelada ao encerramento da fase de consulta pública e aos trâmites finais do Ministério da Educação.