Durante um ato político realizado nesta quarta-feira (14) em Goiânia, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, discursou em defesa da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 no Senado. A manifestação ocorreu no contexto da campanha de segundo turno para a reeleição do presidente Lula.
Impacto na jornada feminina e embate político
O titular da pasta destacou que a pauta possui relevância especial para as mulheres. Segundo ele, “É especialmente importante para as trabalhadoras. Na 6×1, no único dia de descanso, o homem descansa, enquanto a mulher trabalha em casa. Ela cuida dos filhos, arruma a casa e faz comida.”
Boulos também declarou que o presidente enfrentou grandes empresários e representantes do setor agropecuário na busca pela aprovação da medida. Conforme o ministro, esses setores seriam formados por “os poderosos do agronegócio desse país, que querem a escravização dos trabalhadores do século 21”.
Críticas a Flávio Bolsonaro
O evento na capital goiana também foi marcado por ataques diretos ao adversário do atual governo no segundo turno. O ministro chamou o presidenciável do PL de covarde e acusou o parlamentar de tentar barrar a tramitação da matéria legislativa.
De acordo com o discurso, “Do outro lado, a gente tem o Flávio Bolsonaro, que trabalhou para boicotar o fim da 6×1 dia e noite. Vocês viram, ele não queria deixar votar. Hoje, como ele é um covarde, é capaz de colocar o dedinho no Senado, dizendo que vota a favor. Mas não se iludam: o fim da 6×1 só vai acontecer com Lula reeleito presidente do Brasil”.
Riscos apontados à legislação trabalhista
O representante do governo afirmou ainda que uma eventual vitória da oposição resultaria na substituição do texto por uma regulamentação focada nas horas efetivamente trabalhadas, o que eliminaria direitos consolidados.
Segundo o relato do ministro, “A PEC da hora trabalhada, que o Flávio assinou, ela diz o seguinte: que o trabalhador só vai receber pelas horas que trabalhar. Férias remuneradas? Acabou. Décimo terceiro? Acabou, porque o ano só tem 12 meses. Atestado médico? Pode jogar fora.”
Engajamento da juventude e histórico de protestos
Na mesma ocasião, Boulos celebrou a participação dos jovens na mobilização em prol da candidatura petista. “A nossa virada está sendo construída do nosso jeito. Não é com máquina, não é com marketing, não é com fake news; a nossa virada está sendo construída com gente, com esperança, com brilho no olho. Isso vai ser lindo demais”, pontuou.
A manifestação teve sua concentração inicial na Praça Universitária, com os participantes seguindo em caminhada pela avenida homônima até a Praça Cívica. O ato contou com a presença de diversas lideranças políticas locais, incluindo parlamentares federais, estaduais e vereadores. Goiânia já havia sediado atos semelhantes em datas anteriores, integrando um calendário nacional que contabiliza mais de 75 eventos públicos em diferentes regiões do país.