Instituto kids nega fraude em cobranças de autismo e aponta litígio com unimed

O Instituto Kids Centro de Reabilitação refutou as acusações de irregularidades em cobranças de terapias para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Trindade, após a apresentação de uma nova notícia-crime pela Unimed Goiânia à Polícia Civil.

Auditoria aponta centenas de falhas

A cooperativa médica relatou que uma auditoria referente aos anos de 2023 e 2024 detectou 530 cobranças problemáticas, somando R$ 57.280. Entre as falhas listadas estão atendimentos sem comprovação, registros divergentes, cobranças duplicadas e documentos sem a assinatura dos pacientes envolvidos.

Defesa alega filial inexistente e retenção financeira

Em nota oficial, a clínica esclareceu a situação sobre o município vizinho e declarou: “O Instituto Kids Centro de Reabilitação nunca prestou nem faturou qualquer atendimento na cidade de Trindade”. A instituição argumenta que a unidade aberta na região pertencia a uma pessoa jurídica separada, criada na expectativa de um credenciamento que nunca ocorreu por parte da operadora, encerrando as atividades em agosto de 2024 sem realizar nenhum atendimento.

Além disso, a direção do centro de reabilitação afirmou não ter recebido notificação prévia sobre a auditoria ou acesso aos itens questionados, tomando conhecimento do caso apenas pela imprensa. A clínica também destacou que o inquérito policial trata-se de uma manifestação unilateral, sem denúncia formal do Ministério Público ou decisão judicial até o momento.

Disputa judicial e retenção de repasses

O embate também envolve questões contratuais e financeiras. Segundo o estabelecimento, a operadora reteve valores referentes aos meses de março e maio de 2026, totalizando R$ 407.402,88 em repasses não efetuados, além de glosas posteriores que ultrapassariam meio milhão de reais. Devido à suposta inviabilidade financeira gerada por essa retenção, o contrato foi encerrado administrativamente e uma ação de cobrança foi ajuizada na justiça.

A instituição pontuou que a primeira notícia-crime protocolada pela cooperativa ocorreu em junho de 2026, semanas após o início dos cortes nos pagamentos e no mesmo período em que o Ministério Público de Goiás ajuizou ações para garantir o suporte aos pacientes. A segunda acusação pública surgiu logo após a abertura da ação judicial de cobrança movida pelo centro terapêutico.

Atendimento mantido por via judicial

Atualmente fora da rede credenciada, o centro médico atende apenas pacientes cujas famílias acionaram o Poder Judiciário para manter o acompanhamento terapêutico no mesmo local e com a mesma equipe profissional.

Ressaltando a confiança dos responsáveis pelos pacientes, a clínica pontuou: “Família que reconhecem o cuidado e profissionalismo do Instituto com as crianças. E, caso a realidade fosse a descrita pela operadora, essas famílias tivessem ido embora. Fizeram o contrário”. A apuração policial continuará investigando a origem das divergências apontadas pela operadora de saúde.

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