Goiana que nasceu sem os braços supera limites e conquista autonomia

Nascida em Anápolis sem os dois braços, Kathrein Moura Faria construiu uma trajetória inspiradora marcada por superações pessoais e profissionais. Aos 36 anos, ela atua como servidora pública municipal no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e acumula títulos como bacharel em Direito e pós-graduada em Segurança Pública, além de já ter trabalhado por nove anos no Tribunal de Justiça.

Autonomia incentivada desde a infância

O suporte da família foi fundamental para o desenvolvimento de sua independência. Desde pequena, Kathrein foi estimulada pela mãe e pela irmã, Ivana, a errar, tentar e descobrir suas próprias maneiras de executar as tarefas cotidianas. No entanto, o caminho nem sempre foi fácil. Na infância, chegou a ter a matrícula negada em uma escola sob a alegação de que a instituição não estava preparada para recebê-la. Anos depois, encontrou um ambiente inclusivo em uma rede regular de ensino.

Casada há 13 anos e tutora de oito cães, ela adota uma filosofia resiliente diante do preconceito e do capacitismo. “Se falar que eu não consigo, aí que eu vou lá e mostro que eu consigo”, resume sobre os desafios que enfrenta diariamente.

Conquista da CNH e paixão por aventuras

Um dos maiores sonhos de Kathrein era conseguir a carteira de motorista. Após tentar dirigir um carro manual com a ajuda do marido, Luiz, ela percebeu que a troca de marchas era arriscada e buscou uma alternativa viável: veículos com câmbio automático e direção elétrica. O documento oficial foi entregue pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, marcando a realização de uma meta antiga. “Dirigir não é uma questão de luxo, é uma questão de autonomia também”, afirma.

Superando barreiras na cozinha e no esporte

A habilidade culinária surgiu da observação atenta dos pratos feitos por sua avó. Hoje, ela prepara pratos como moqueca e peixes fritos ou assados utilizando utensílios comuns, sem nenhuma adaptação física, garantindo que nunca sofreu queimaduras. “Tudo o que nós propusermos a fazer, nós vamos fazer”, pontua.

Além da direção e da culinária, a goiana já se arriscou em esportes radicais como mergulho e rapel. Para ela, a sociedade muitas vezes limita as potencialidades das pessoas com deficiência por enxergar apenas um caminho para a realização das tarefas, ignorando a pluralidade de capacidades humanas.

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